“Sua dor é importante para outras pessoas”

Durante os últimos dias, me comprometi a manter o foco e assistir à série que por muito tempo foi pauta de quase toda conversa de adolescentes em redes sociais: 13 Reasons Why. A trama, em que uma garota de 17 anos conta por meio de fitas cassete os porquês de ter tirado a própria vida, causou comoção e críticas que inundaram as timelines das pessoas. O assunto é, de fato, algo delicado para ser debatido de forma tão escancarada como aconteceu durante algumas semanas após seu lançamento.

Como educador, convivo com adolescentes no meu cotidiano, na grande maioria de 15 a 18 anos, e, assistindo à série, consegui me identificar com o meio em que se passa toda a história. As conversas e boatos de corredor, os romances de adolescente, as brigas, as provocações, os apelidos, tudo. Conheço os alunos, e entendo as dores que eles sentem e sua aflições, porque, afinal de contas, eu já estive nas mesma situações.

A série deixa bem clara a emoção que quer passar: cenas com cores frias se passam após a morte de Hannah Baker e com cores mais quentes e amareladas quando a cena trata de uma memória de quando ela ainda estava viva. Os recursos técnicos para mexer com os sentimentos dos espectadores são muito bem executados. Mas não estou aqui para fazer uma crítica sobre a produção da série. Estou aqui para falar de suicídio.

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Hannah contou para todos os envolvidos os motivos de ter tirado a própria vida. Por quê? Para mostrar que as coisas poderiam ter sido diferentes, contando para eles como eram culpados por ela ter perdido a vontade de viver.

O que Hannah não pensou foi nos danos que poderia causar à vida dos outros envolvidos. Não apenas aqueles que estão presente nas fitas, mas todo o universo que estava ao redor daquele acontecimento. Além de ter fodido com a sanidade de, no mínimo, 13 pessoas, causou extremo sofrimento e angústia aos próprios pais.

O jeito como a cena de seu suicídio é mostrada na série é deveras displicente, pois é explícita e dolorosa até para quem não se choca com facilidade. É uma sensação de desespero e traz consigo uma agonia, daquelas que dá um nó na garganta. Para uma série cujo público com maior alcance eram os adolescentes, a cena é completamente irresponsável por praticamente ensinar às pessoas como tirar a própria vida.

Após o seu lançamento, muita gente considerou a série uma espécie de Trigger (o que traduzindo significa GATILHO). E é sabido que o número de ligações para organizações de prevenção de suicídio duplicou após a estreia na Netflix. E isso é preocupante, pois quantas pessoas decidiram após assistir, não ligar para ninguém? O incentivo à preservação da vida tem que ser feito a todo o momento, não há dinheiro nem bens que paguem o valor de uma vida. Você é importante.

Sempre há uma forma de impedir alguém de se suicidar, assim como poderia ter acontecido com Hannah. O que a levou à morte foi ninguém se importar o suficiente com o sofrimento dela. E isso pode acontecer com alguém que está do seu lado, e você está ocupado ou cego demais para perceber o sofrimento alheio.

Somos maiores do que todo o mal que querem nos causar. Temos o poder de ajudar almas que estão em sofrimento, nós podemos mudar o mundo. O amor é o elemento da transformação, e precisamos espalhá-lo para todos, para que jamais precisemos ser um dos 13 motivos de ninguém.

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