Nossos gostos não são uma verdade universal

Desde garoto sempre fui fascinado por música, a ponto de ligar o rádio com meu CD do Linkin Park – que era o meu favorito -, pegar uma vassoura e fingir que era eu ali, tocando aquelas músicas tão fodas. E, assim, minha paixão só aumentou. Cada vez mais eu escutava estilos, bandas, vozes, melodias, letras, todas diferentes umas das outras. Variava meu tempo livre antes e depois do colégio em assistir videoclipes na MTV e Dragon Ball Z na Globo.

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Aprendi 3 acordes com um tio, e aprendi a tocar Knocking on Heavens Door, do Bob Dylan, mas era muito difícil, e eu tocava muito mal. Com 16 anos, ganhei meu primeiro violão (que guardo até hoje) e com aqueles acordes que aprendi, me empenhei em conhecer outros e, assim, aumentei o meu repertório. Reunia-me com alguns amigos em uma praça qualquer, e cantávamos até a voz cansar. Pouco depois, o sonho da primeira banda (que era bem ruim, diga-se de passagem), os ensaios, as horas compondo, o primeiro show.

Durante uma época, eu fui um daqueles extremistas que gostam de músicas mais pesadas, como heavy metal, trash metal, nu metal, usava bastante roupa preta, e achava que tudo que não fosse daquela forma, estava errado, não tinha qualidade alguma. Eu era um caga-regra. E isso traz à tona o assunto que é um divisor de águas, e que causou polêmica um tempo atrás.flyng-v

Recentemente, foi protocolada no Senado Federal uma proposta para que o funk seja criminalizado, o que acarretaria o fim do gênero no país. Ou seja, querem CENSURAR uma forma de expressão, que é garantida na Constituição Federal de 88.

Eu nunca fui apreciador de funk, muito pelo contrário. Sempre detestei o gênero; as batidas, as melodias e principalmente as letras nunca me agradaram. Eu facilmente seria um dos apoiadores dessa proposta, sem sombra de dúvidas. Porém, ouvindo uma entrevista certa vez, escutei um desses MC’s que jamais saberei distinguir falando a seguinte frase: “O que acontece na minha vida, através do funk não tem como eu explicar. Há 3 meses eu ralava para conseguir sustentar minha família que muitas vezes passou necessidade. Hoje eu tenho uma casa, consigo me alimentar bem. Como alguém quer que eu volte a passar necessidade só porque não gosta do que eu faço?

E essas palavras abriram a minha mente sobre a questão. Não é porque eu não gosto de algo que isso tem que deixar de existir ou de acontecer. Não é errado gostar de Anitta, assim como não é errado gostar de Metallica, ou Restart. É isso que nos faz humanos, as diferenças. Ninguém é igual a ninguém, por isso cabe a nós acharmos aqueles que se parecem com a gente.

Seja pela batida do pancadão ou pelos solos de guitarra intermináveis, pelos riffs rápidos do hardcore ou pelas milongas com suas violas e gaitas, pelas letras depressivas de Thom Yorke ou as críticas de Mano Brown, nunca devemos nos envergonhar das músicas que ouvimos e de que gostamos. Elas fazem parte de nós, do que somos e representamos no universo.

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