Basement e a catarse coletiva do hardcore

Não há outra maneira de começar esse texto: o show do Basement foi foda! A ideia de simplesmente cobrir o show de uma das grandes bandas da cena underground hoje, foi por água abaixo quando me deparei com um momento único de catarse coletiva, em um dos eventos mais memoráveis que já presenciei.

Logo na abertura, feita pela Brvnks e pelo Kill Moves, percebia-se a ansiedade no público pela entrada do Basement. A responsabilidade que recaiu sobre as duas bandas também era gigantesca, afinal abrir para a banda inglesa não era uma tarefa a ser encarada com tranquilidade. Apesar disso, e de algumas dificuldades com o som, ambas nos entregaram exatamente aquilo a que se propunham: shows corretos, apresentando o que parte do público já conhecia pela internet e agradando à maioria.

 

Pontualmente no horário previsto, o Basement entra no palco pra passar o som. O mais interessante em estar num evento desses é perceber que você faz parte de um movimento que não se restringe apenas à música. A movimentação do público nesses poucos minutos antes do início do show em si demonstrava visualmente a profusão de sentimentos que inundava a Clash.

Quando as pessoas me perguntam qual é o sentido de fazer parte desse movimento, dificilmente eu consigo responder. Não porque seja uma resposta complexa. Mas porque às vezes é complicado explicar o que só se consegue entender ao sentir. E naquele momento, na introdução do show, quando os primeiros sons vindos das caixas atingiram nossos ouvidos, dava pra perceber nitidamente a maneira como aquelas ondas sonoras estavam tocando cada um de nós.

A entrega do público ao mosh talvez seja o que mais espanta quem está de fora. Mas a verdade é que toda aquela energia tem que explodir, tem que se tornar visível, numa espécie de concretização daquilo que estava um minuto antes guardado dentro de cada um. Não havia um pulmão naquele lugar que não tenha dado vazão a uma voz interior em ao menos um momento do show.

Sempre acreditei que sentimentos não devem permanecer guardados. De alguma forma, eles devem ser colocados para fora, expostos, seja num verso, seja numa canção, seja num olhar. Ouvir a música do Basement e cantar junto com eles foi a maneira de esses sentimentos extraírem-se nesse dia. Isso é o espírito do hardcore. Isso é sinergia. Isso é catarse.

Enquanto o Andrew Fisher cantava Aquasun, uma parte importante da minha vida passava na minha cabeça, e tudo que eu queria era chegar ao refrão e gritar “dive into me” junto com ele e com centenas de pessoas ao meu redor. E, óbvio, foi o que aconteceu. Com toda a força possível. Com toda a sinceridade possível.

Basement Aquasun

E citando uma frase que a Bruna Guimarães, da Brvnks, disse uma vez: “Não há nada mais sincero do que o hardcore, amigos.”

Fotos: Thaís Calado

3 comentários em “Basement e a catarse coletiva do hardcore

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