Aprenda a hora de desistir

Não é novidade que você e eu estamos inseridos na hipócrita cultura da meritocracia. Cultura que prega que todos têm capacidade para conseguir o que quiserem e que tudo depende do quanto nos esforçamos e nos dedicamos em algo. Se você não atingiu seus objetivos – objetivos esses, muitas vezes, impostos pela mídia – é porque não se esforçou o bastante, porque não teve garra, porque talvez não quisesse tanto aquilo quanto dizia que queria. Desistir está fora de cogitação. Quem desiste é fraco, fica pra trás na seleção natural, não nasceu pra esse mundo.

Mal saímos da barriga da nossa mãe e já existe todo um cronograma que devemos seguir. Ninguém nos pergunta nada. Somos simplesmente atirados à busca incessante pelas coisas vãs dessa Terra, e, ignorantes, achamos que é isso que nos fará completos. E, quando falhamos nessa busca, nos afogamos em culpa, queremos nos esconder, queremos que o mundo esqueça de nós, porque nos sentimos devendo a ele. Tudo porque não nos ensinaram a dura verdade de que nem tudo é pra gente.

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A televisão nos fez acreditar que um dia seríamos milionários e estrelas de rock. Mas não seremos.

Nem todos nasceram pra jogar futebol. Eu não nasci. E eu tenho plena consciência de que, por mais que eu me esforce, treine, invista horas e horas por dia no intuito de me tornar o melhor jogador do Brasil, eu não vou passar de um cara que está apto a jogar aos domingos de manhã com os amigos num campinho qualquer. Nem todos nasceram pra serem músicos, atores, desenhistas, escritores. Cada um tem seu papel no mundo. Cada um tem seu talento, por menor e mais insignificante que possa parecer. E, por mais que você goste muito de algo e queira muito fazer, e coloque todas as suas forças naquilo, se aquilo não é pra você, se você não nasceu praquilo, o máximo que você vai ser é um cara mediano que pode muito bem fazer aquilo por lazer.  E não há problema algum nisso.

Quanto mais você gastar tempo com aquilo que, muitas vezes, tá na cara que não é pra você, menos tempo vai ter para procurar e se dedicar àquilo que realmente nasceu pra fazer. Precisamos ser mais sinceros conosco, menos cínicos, e parar de fingir que acreditamos em tudo o que a TV nos diz apenas porque nos é conveniente, porque senão nos frustramos de graça. E é óbvio que você só vai saber se algo é ou não pra você se tentar. E é o que você deve fazer: tente, tente o quanto suas forças permitirem. Mas tenha culhões pra aceitar que talvez essa tentativa esteja sendo em vão, que talvez você não tenha sido feito praquilo. E aí você parte pra outra, de cabeça erguida. E uma hora as coisas acontecem, e você vai finalmente entender por que todas as outras deram errado – por mais clichê que pareça dizer isso.

 

3 comentários em “Aprenda a hora de desistir

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  1. Sempre digo isso e repito: Meritocracia não é sobre EQUIDADE de oportunidades, como você citou acima, alguns não nasceram pra jogar bola, mas meritocracia não diz isso. Diz que, se você acha que pode fazer algo, e pode melhorar nesse algo, quanto mais esforço você colocar nisso melhor tu vai ser. Você pesar 200 kg e achar que pode ser jogador de futebol não é falha na meritocracia, e sim você que é um pateta utópico.

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