Me interrompa se você já ouviu isso antes

Não importa quantos anos você tenha. Não importa em que década você nasceu. Não importa onde você nasceu. Se você é daquelas pessoas que realmente sente as coisas, se já se sentiu invisível em algum momento da vida, se achou que não havia lugar pra você nesse mundo, essa é a banda que você precisa ouvir: The Smiths.

Não vou me preocupar com datas aqui, porque isso também não importa. Só digo que a banda acabou faz tempo pra caralho e ainda permanece atual. Não porque suas letras tratem de política ou coisa do gênero – embora tratem às vezes. Mas porque o que ouvimos quando Morrissey canta traz toda a angústia e todo o sentimento de inadequação que nos mostram que somos realmente humanos. E é isso que sempre me tocou, desde que ouvi a banda pela primeira vez, há uns vinte anos mais ou menos, quando comprei uma coletânea deles porque queria ouvir How soon is now, cuja letra eu tinha lido em uma revista enquanto pensava: “meu, acho que nunca li um troço tão foda na minha vida”.

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Justamente por isso penso no impacto que os Smiths tiveram na minha vida. Justamente por isso gostaria que todos sentissem algo parecido. Justamente por isso quis escrever este texto.

Inclusive, pensei em chamar esse texto de “Há uma luz que nunca se apaga”. O clichê me fez desistir. O problema é que essa frase, título da música provavelmente mais conhecida dos Smiths, resume bem a ideia disso tudo aqui. Ainda hoje vejo o culto que se formou em torno de uma banda que não existe há tempos e por isso mesmo é eterna. E me emociono por isso.

Quantos de nós já não saíram de casa pra ir a um lugar cheio de gente e perceber que aquele seria o lugar em que menos queríamos estar, porque nos sentamos sozinhos e vamos embora sozinhos e queremos morrer?

E quantos não desejamos poder sorrir quando nada mais fazia sentido e não sabíamos como ir pra casa? Ou sonhamos e sonhamos e sonhamos que não estamos mais sozinhos pra acordar de repente e percebemos que era apenas mais um alarme falso?

Morrissey traço

Agora, enquanto escrevo, tá tocando aqui meu vinil de Meat is Murder. E realmente pouco importa se você entende ou não como é mais vivo e intenso ouvir desse jeito Morrissey cantar que está indo rápido pra lugar nenhum em um trem que mais parece uma música triste. Ouça do seu jeito, mas ouça e perceba como esse sentimento é desesperador.

Poucas bandas na história fazem isso. E esqueçam aquelas bandas que fazem sucesso por um tempo e depois são cuspidas fora. Elas são todas iguais.

A arte serve também pra colocar sua dor pra fora. Os Smiths fazem música pra você ouvir, cantar junto – e acima de tudo sentir seu peito explodir enquanto você entende que, sim, é possível sentir tudo aquilo que você sente. Morrissey sentiu. Eu senti, e sinto toda vez que estou escrevendo ou ouvindo Smiths.

Sim, é uma banda dos anos 80. Mas o tempo dos Smiths é sempre. As músicas deles são pra você. Pra vocês. Pra todos nós. Então vai lá ouvir. Depois me conta que diferença realmente faz.

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