O que aprendemos com o cinema de Quentin Tarantino

A caminho da Clash Club, aonde fomos para cobrir o show da banda ucraniana Stoned Jesus, decidimos parar pra almoçar na hamburgueria Big Kahuna, que, além de ter o melhor hambúrguer, a melhor batata frita e o melhor milk shake que já provamos, é uma puta homenagem a um dos cineastas favoritos de todos nós aqui da revista: Quentin Tarantino. Desde o nome da casa (Big Kahuna é um fast food fictício citado em Pulp Fiction, filme que rendeu sete indicações ao Oscar em 94) até o nome dos lanches e os desenhos nas paredes. Uma linda homenagem a quem, escancaradamente, mais faz homenagens no cinema atual.

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Big Kahuna Burger, que fica na Alameda Lorena, 53, Jardim Paulista, São Paulo – SP

Conhecido por seu conhecimento enciclopédico de filmes, Tarantino recheia muito bem cada uma de suas obras com referências explícitas de suas influências, o que faz com que o diretor seja acusado de plágio e odiado por parte da crítica especializada. De qualquer forma, é inegável seu amor por cinema e inegável o fato de que aquilo que amamos define o que fazemos e o que fazemos define o que somos – algo que batemos muito na tecla aqui na Los Tres Caballeros.

E como Tarantino, pra nós, é influência, inclusive, pro modo como vemos a vida, separei aqui 5 das cenas que considero as mais geniais, situações comuns do dia a dia que, nas mãos do diretor, têm os mais catastróficos desfechos já vistos no cinema, nos fazendo pensar sobre até onde vai a maldade do coração humano:

(Alerta de spoiler! Caso você ainda não tenha assistido a algum desses filmes, assista e depois volte aqui – a não ser que não se importe)

“Já te disse que foi um acidente, cara!” – Pulp Fiction (1994)

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Numa das cenas mais engraçadas do filme, Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) acabaram de quase morrer em um tiroteio, e, na volta pra casa, estão discutindo sobre ser ou não o agir da mão de Deus eles estarem vivos e ilesos. Vincent Vega, incrédulo, se vira e pergunta a opinião de Marvin, um moleque que serviu de espião pra eles em sua missão, e, de repente, a arma dispara, explodindo a cabeça de Marvin dentro do carro, no meio da rua, à luz do dia. “Por que caralhos você fez isso?”, pergunta Jules. “Não era pra isso acontecer, cara, foi um acidente…”, responde Vincent. E toda a discussão e preocupação deles a partir dali foi sobre como iriam sumir com o corpo para não serem pegos, não se importando nem um pouco com o fato de que tinham acabado de matar uma pessoa inocente.

O desespero da vitória – Kill Bill Vol. 2 (2004)

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Meu filme favorito da vida desde que eu tenho 14 anos. Beatrix Kiddo (Uma Thurman) sai em busca de vingança depois de levar um tiro na cabeça no dia do ensaio do seu casamento, estando grávida, pelo homem que mais amou, ficando em coma durante 4 anos. Na última cena do filme, após concluir sua sangrenta saga, Beatrix chora desesperadamente no banheiro de um quarto de motel enquanto sua filha vê desenhos na TV. Chora por ter tido que matar o homem que amava. Chora porque não se arrependeu de ter matado tanta gente em seu caminho. Chora porque não tem dúvidas de que sua natureza é assassina.

Tensão no pub – Bastardos Inglórios (2009)

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Considerado por muitos a obra-prima de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios é o filme com maior quantidade de situações tensas de sua carreira, o que faz com que consigamos imaginar como era viver no meio da guerra por trás dos campos de batalha, as traições, os acordos feitos sem ninguém saber, as alianças desfeitas por interesses próprios. Nessa cena, por exemplo, sentam-se na mesa espiões de lados distintos apenas esperando o momento certo de agir. Todos ali estão prontos para matar ou morrer e, quando um deles se entrega por um mísero detalhe, é o que acontece: uma chacina que resultou na morte de quase todos no bar.

Quem é o filho da puta do impostor? – Cães de Aluguel (1992)

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Em seu primeiro filme como diretor e roteirista, Tarantino, aqui, ditou o tom do que seriam seus filmes seguintes: violência em excesso, palavrões em excesso, e diálogos que parecem não ter importância nenhuma mas que nos dão detalhes extremamente importantes sobre os personagens. Cães de Aluguel é sobre um assalto que poderia ser o crime perfeito caso não houvesse um policial infiltrado no meio deles. O filme se passa quase todo dentro de um armazém abandonado onde os membros da gangue discutem entre si quem poderia ser o impostor. Todos ali, sem exceção, têm motivos para sê-lo. Nessa cena, já no final do filme, Mr. White (Harvey Keitel), tomado pela compaixão, tenta convencer o chefe de que Mr. Orange (Tim Roth), o homem ensanguentado no chão, não é o traidor, o que resulta na morte dos três e na revelação de que, sim, ele era.

Racismo interno – Django Livre (2012)

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Samuel L. Jackson interpreta Stephen, um negro que se sente superior a outros negros por ser consideravelmente respeitado por Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), seu patrão, num tempo em que o racismo reinava, e, ao descobrir o plano de Django (Jamie Foxx) para libertar sua esposa da Candyland, uma fazenda onde os escravos são treinados para lutar entre si para o puro entretenimento de Calvin, faz de tudo para frustar o resgate. Calvin, então, ao ouvir que estava sendo enganado, ameaça matar a moça caso Django não faça o que ele mandar. Uma cena tão forte de racismo que o próprio DiCaprio teve dificuldade de gravar.

E pra você, quais são as melhores cenas? Compartilhe com a gente!

E vida longa a Quentin Tarantino.

2 comentários em “O que aprendemos com o cinema de Quentin Tarantino

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