“Quando você me vir novamente, não serei eu”

Em dois meses, muda coisa pra caralho nessa vida. Cada passo que nós damos pode nos levar a um caminho que nem conhecíamos dois meses antes, porque no fim das contas somos todos alvo de uma entropia quase absoluta que governa o mundo. Cada passo que dermos só vai nos levar a uma consequência desse mesmo passo – o que é também uma consequência daquilo que somos no momento em que ele é dado. E às vezes o segredo é justamente não pensar muito e simplesmente caminhar rumo ao abismo. “Não há na natureza paixão mais diabolicamente impaciente como a daquele que, tremendo à beira dum precipício, pensa dessa forma em nele se lançar”. Apesar da premente perversidade na interpretação dessa frase de Edgar Allan Poe, vai que encontramos algo espetacular no fundo daquele abismo, não é mesmo?

Tudo isso que eu disse foi apenas pra dizer que tudo muda. Não interessa se em dois meses ou dois anos. Dois dias. Ou dois minutos. Mas muda – mesmo que a gente não queira ou não espere. O que interessa é que estamos trilhando nosso caminho e fazendo o que só nós podemos fazer.

black_hole_space_stars_circles_universe_61036_1920x1060“A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas. Outras, têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”. Ouvimos isso no filme Mary e Max – Uma amizade diferente, entre outras frases que nos levam a pensar em como vai ser essa calçada. Ou em como foi. Mas, gente, o que eu estou querendo dizer é que essa calçada é só nossa. Pensando ou não pensando, fui eu que escolhi os passos que dei, fui eu que decidi atravessar a rua pra não encontrar aquela pessoa, ou descer da calçada pra não tropeçar naquela pedra. Foi você que decidiu o mesmo que eu e nos encontramos. Ou em algum momento aquele cara que a gente não conhece nem percebeu que era melhor descer e quebrou o pé.

E aí a gente se encontrou aqui e aquele cara nem sabe da nossa existência. E talvez você nem se lembre de que a gente se encontrou naquele show outro dia. E eu talvez não saiba quem é você.

Mas nos encontramos por meio desses textos que temos escrito aqui na revista já há mais de dois meses. Há um ano, nem pensávamos que essa revista existiria. Agora ela faz parte da nossa vida e estamos escrevendo aqui, sobre as músicas que ouvimos, os filmes e as séries a que assistimos, sobre aquilo que observamos no mundo.  No fim das contas, o mundo nos entrega nossos textos e nós os entregamos pra vocês. Como já disse em outro momento, esse foi o jeito que nós encontramos para compartilhar nossa forma de ver o mundo. E esse mundo é caótico até não poder mais.

La-Entropia-y-el-fin-del-UniversoEnxergamos a entropia do mundo e a aplicamos a nosso próprio caos. Transformamos essa mistura toda em jornalismo – nessa espécie de jornalismo literário que tentamos criar e recriar a cada dia – e entregamos aqui na revista. Não somos os primeiros nem os últimos a fazer isso. Continuamos o trabalho de muitos e, algumas noites, fazemos como Bukowski nos ensinou e deixamos o pássaro azul em nosso peito sair enquanto todos dormem. E vamos continuar por aqui, com algumas mudanças – daquelas mesmas de que a vida é feita. E você – ou vocês – pode mudar com a gente. Nos encontraremos por aí. Numa esquina, nas calçadas acidentadas da cidade, em um show qualquer, numa sala de cinema. Mas acima de tudo nos encontraremos nas páginas destes textos. E quando nos encontrarmos novamente, não seremos os mesmos.

2 comentários em ““Quando você me vir novamente, não serei eu”

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  1. Eu comecei a acompanhar os textos daqui a partir de uma postagem no grupo REAL emo do Facebook. Foi a melhor escolha que fiz ter deixado aquele trabalho de lado pra dar alguns minutos do meu tempo numa leitura prazerosa sobre um show incrível. Adoro os textos daqui e, apesar de não comentar em muitos (na verdade, esse é o meu primeiro comentário), fico muito feliz no momento em que os leio.
    Esses pequenos momentos de felicidade me fazem muito bem, pois percebo que são eles que fazem as mudanças da vida valerem a pena. Logo eu, que passei por muitas mudanças nos últimos meses, gosto de refletir de vez em quando sobre essas pequenas coisas que fazem toda a diferença.
    Continuem com o ótimo trabalho. E obrigado por compartilhar. Abraço!

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    1. Cara, valeu mesmo pelo seu comentário. A revista vai passando por constantes transformações, assim como a gente. E é muito bom mesmo quando alguém se identifica com aquilo que a gente escreve, porque é nesse momento que temos certeza de que escolhemos a coisa certa a fazer. Aproveita e dá uma olhada na nossa página do Facebook, que tem vários outros textos lá. Grande abraço!!

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