A síndrome de underdog

Há certo tempo, venho observando o comportamento de pessoas próximas e cheguei a conclusão de que elas sofrem de um fenômeno que tem me incomodado bastante: A SÍNDROME DE UNDERDOG. E o que seria isso? Uma doença, um defeito genético? Não. Trata-se do comportamento de sempre se rebaixar, achando que o outro ou algo é melhor do que você, ou do que alguma coisa sua. Isso pode ser entendido também como um complexo de inferioridade ou complexo de vira-lata.

Convenhamos: que população é mais underdog que a do Brasil? É incrível como a gente consegue achar defeito até nas coisas mais simples. Essa semana eu li um texto pelo Facebook que AGRADECIA O FURACÃO IRMA. Agradecia porque mostrava como os americanos são civilizados, como eles se portavam diante uma catástrofe iminente. E por que isso me irrita? Porque a primeira reação que vi das pessoas que compartilharam (e acredite, foram muitas) era uma comparação imediata ao nosso país.bandeira-2

Não estamos ignorando os problemas do Brasil. Todos sabemos que nosso país está longe de ser um país bem civilizado, de primeiro mundo – como alguns preferem falar -, apenas deixando claro que isso não é motivo para comparar duas nações tão diferentes. Vivemos em um país que passou por mais de 20 anos de ditadura militar, e temos uma Constituição deveras recente. E ainda assim, ao compararmo-nos a um país mais desenvolvido, como os EUA por exemplo, que já tem uma Constituição consolidada há anos, vemos que existem problemas lá, tanto quanto no Brasil. Um exemplo simples é o caso dos manifestos pela supremacia branca em Charlosttesville.

A questão aqui é a predisposição a diminuirmos não somente a nossa pátria, mas muitas vezes diminuirmos nós mesmos. Quantas vezes já não nos comparamos a alguém que julgamos ser melhor do que nós? É natural, vivemos sendo comparados e comparando desde a infância. Que filho nunca ouviu aquele “mas você não é todo mundo” da mãe quando quer ir a algum lugar?

E eu falo para vocês como alguém que aprendeu com o tempo a gostar do meu país, da minha cidade, do meu bairro. Aprendi que eu não preciso detestar a minha terra para gostar de outras. Admirar outros países, outras culturas, absorver o que há de bom e entender as diferenças. Como disse Nelson Rodrigues, “Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo.” Não somos inferiores a ninguém, como seres humanos ou nação. Não precisamos diminuir a nossa importância, a nossa história.http-i.huffpost.comgen4066082imagesn-OLYMPICS-RIO-628x314

Portanto, não precisamos agradecer por um desastre natural que deixou tanta destruição por onde passou para criticar os defeitos do nosso país. Talvez, se gastarmos o tempo que passamos reclamando das injustiças e do problemas existentes por aqui, focarmos no que podemos fazer para que isso não continue dessa forma e entendermos a riqueza que a nossa tão vasta cultura nos oferece, um dia (mesmo que demore) não precisemos mais agir como underdogs.

 

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