Qual é a importância do cinema na luta contra o racismo?

Semana passada assisti pela segunda vez ao filme Histórias Cruzadas (The Help), que conta a história de empregadas domésticas negras que eram contratadas para, além de cuidar dos afazeres domésticos, criar os filhos da elite branca da cidade de Jackson, no estado do Missisipi, na década de 60. Falando agora, eu acho que não consigo contar quantas vezes eu senti um nó na garganta enquanto assistia.

Os relatos do filme, que é baseado no romance Kathryn Stockett, contam a história de uma branca chama Eugenia “Skeeter” Phelan (Emma Stone), que aspira a ser jornalista e escritora. Skeeter percebe a situação deplorável do tratamento dos patrões com as suas empregadas. Sendo assim, no decorrer da história, Skeeter resolve escrever os relatos que Aibeleen (Viola Davis) e outras empregadas contam a ela.

Outro filme que retrata muito bem o que acontecia na época do segregacionismo na década de 60 nos E.U.A é Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), que conta a história real de três negras que trabalhavam na NASA durante a Guerra Fria. Durante o filme, várias barreiras raciais vão sendo quebradas em vista das situações, como, por exemplo, a dificuldade que a personagem Katherine Johnson (Taraji P. Henson) tem de ir ao banheiro quando é mudada de setor e não tem um “banheiro de cor” por perto, e ela ter de andar quase 1 km toda vez que precisa usar o banheiro.

Poderia me alongar na lista de filmes que tratam do racismo, mas isso não é uma lista. Isso é um relato de revolta. Afinal, o que um cara branco sabe sobre ser vítima de racismo? A primeira situação que me motivou a escrever isso foi a de brancos falando sobre racismo reverso. Me chega a dar refluxo acreditar que há pessoas que REALMENTE acreditam que existe racismo contra brancos. É de doer os olhos ler qualquer coisa que defenda essa ideia, como se fosse normal ser barrado de entrar em lugares por causa da cor de pele, ou ter bebedouros separados, como acontecia na época do segregacionismo racial.

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Algumas pessoas simplesmente parecem que nunca tiveram uma aula de história sequer. Não que isso seja problema, porque, de fato, uma parcela da população não tem acesso à educação, mas aqueles que defendem a teoria do racismo reverso usam discursos que aparentam ter o mínimo de alfabetização necessária para isso.

E aí entra a representatividade de filmes como os citados aqui. Eles servem para nos mostrar a realidade pela qual os negros passaram. Desde a escravidão até a segregação, a luta pela conquista de direitos civis iguais (o que, convenhamos, não é igual nem fodendo), vemos em filmes a demonstração daquilo que não deve ser repetido jamais. É mostrar que isso realmente aconteceu e continua acontecendo.

Lembrando da nossa própria realidade, com o aumento potencial dos defensores do regime militar e dos conservadores, o espaço para os racistas trajados do que muitos chamam de “cidadão de bem” aumentou, e casos como os que aconteceram com a jornalista e meteorologista Maria Julia Coutinho ou os comentários sobre a ganhadora do Miss Brasil 2016, Raissa Santana voltaram a ser comuns. E esses casos são apenas alguns dos muitos que acontecem mas não têm os devidos holofotes.

Seja nos filmes, seja na TV ou até mesmo no nosso dia a dia, devemos nos ater a e combater o racismo. Não podemos esquecer jamais de toda história dos negros, da dívida histórica que levaremos para sempre por todo o sofrimento causado, e que cada vez mais precisamos combater e lutar para que sejamos, de fato, iguais.

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