Você sabe quem você é quando está no meio das outras pessoas?

Poucas coisas nos definem tanto quanto o que fazemos quando estamos sós, quando não há ninguém por perto, seja pra aplaudir nossa postura, nos dar um tapinha nas costas ou nos apontar o dedo na cara. Quando estamos sozinhos, longe dos olhares que nos definem como bons ou maus, é que mostramos nossa verdadeira face, aquela escondida atrás das máscaras – aquela que só nós conhecemos e que, portanto, só nós podemos julgar.

Vivemos em dias cada vez mais plásticos, em que fingir ser feliz – e até mesmo infeliz, porque, convenhamos, tá na moda ser infeliz – nunca se fez tão necessário pra tanta gente. Embora tenhamos evoluído muito no sentido de poder falar, vestir e ouvir o que quisermos sem nos preocupar com convenções sociais, criamos nossas próprias convenções e defendemos nosso terreno, numa tola tentativa de manter uma postura que, lá no fundo, sabemos que não condiz com a realidade de quem somos.

Nos tornamos os maiores consumidores da imagem que criamos de nós mesmos. E, além de consumir, vendemos essa imagem por aí, sem nos preocuparmos com os riscos – pra nós e pra quem compra – de vender um produto que não deveria sequer existir. Interpretamos tantos papéis ao longo do dia que, quando chegamos em casa, olhamos no espelho e não vemos nada senão um reflexo embaçado de algo que talvez ainda exista em algum lugar. Mas a gente acaba nunca parando, de fato, pra pensar nessas coisas.

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Estamos mais preocupados com quem seremos no dia seguinte, com que atitudes tomaremos e com o que elas dirão às pessoas a nosso respeito. Estamos mais preocupados em botar na gaveta nosso eu e deixá-lo lá o tempo que for necessário, sempre achando que isso um dia acabará, e que sempre haverá tempo pra tentarmos mais uma vez sermos justos conosco e com todos à nossa volta. Pra tentarmos, de novo, sermos de verdade.

O problema é que as horas passam, os dias, as semanas, os meses. “Nada se esconde demais”, como disse Teco Martins. Uma hora tudo vem à tona, de uma vez só: o grito silenciado pelas milhares de vozes que ditam, o tempo inteiro, quem devemos ou não devemos ser, o choro desesperado de uma alma que nunca teve tempo de respirar, que foi sugada pelas dezenas de personagens que foram surgindo no decorrer da vida e massacrada por eles sem um pingo de piedade.

Pois é, uma hora a casa cai. E cai de verdade. E coitado de quem estiver em baixo…

2 comentários em “Você sabe quem você é quando está no meio das outras pessoas?

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