Tigers Jaw – entre a delicadeza e a força

Sabe aquelas experiências que você vive e percebe imediatamente que são únicas? A mais recente passagem do Tigers Jaw pelo Brasil só pode ser definida dessa forma. spin – seu último lançamento – é, sem sombra de dúvida, de uma delicadeza ímpar, certamente devido à presença cada vez mais marcante da voz de Brianna Collins. Porém, mesmo com essa delicadeza em evidência, a banda não tirou o peso de suas apresentações, tocando de diversas maneiras os corações que foram se emocionar no show na Fabrique Club, no último dia 3.

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A escolha do NavesHarris para abrir a noite não poderia ser mais acertada. Sinceramente, estou até agora impressionado com a apresentação da banda formada por Jair Naves e Britt Harris. Poucas vezes na vida ouvi uma coisa tão bonita. No palco, a banda soou perfeita e nos brindou com uma das vozes mais doces do cenário atual. Ouçam, porque vale a pena.

Seguindo a cartilha do hardcore, logo na sequência o Tigers Jaw subiu ao palco para ajeitar os instrumentos, no maior espírito do it yourself. Brianna fez jura de dedinho com uma fã que pedia música, comprovando aquilo que a gente já sabe – e que o próprio Jair Naves havia falado minutos antes: nesse nosso mundo, não há e não deve haver barreiras. Não estamos no mundo das grandes bandas que andam por aí cercadas de seguranças, assumindo a postura de ídolos inalcançáveis. Ninguém aqui está pretendendo ser a porra do Justin Bieber ou coisa que o valha. Nessa cena hardcore, o negócio é fazer um som sincero, para que bandas e público falem a mesma língua. Ben Walsh parece ser aqueles caras que todo mundo achava esquisito na escola e que viu como única solução montar uma banda, assim como a maioria de nós naquele lugar. E agradecemos a isso. Isso é rock’n’roll. A atitude estava lá, pra quem quisesse ver. Inclusive, o Renato vai falar um pouco mais sobre isso na próxima segunda – aguardem!

IMG_20171104_204614925A banda já começou com “Follows”, música que abre o disco novo, e logo os gritos de “It follows wherever I go” preencheram o ambiente, enquanto todos respiravam aquele som. O tempo passa, e, mesmo depois de tantos anos, nunca deixo de me impressionar ao ver o poder que a música tem. Todos éramos um, todos éramos o Tigers Jaw.

Logo no início, o tom do show foi dado. Dali até o fim, a banda transitaria pelos seus três principais trabalhos, alternando momentos de pura energia típica do hardcore e momentos de doçura. E é justamente isso que me fez gostar tanto dessa banda. Depois de todo mundo perder a voz no refrão de “The sun”, foi a vez de Brianna encher o ambiente de beleza com “June” – uma das belezinhas do spin. Desafio qualquer um a não se emocionar com essa música, que me parece uma linda mistura de Belle & Sebastian e Travis.

Depois disso não tinha mais jeito: a entrega do público era total, com direito a lágrimas e moshs. Não adianta ficar falando de música por música aqui, então vou colocar a playlist, na ordem do show, aqui embaixo pra vocês. E tentem perceber do que eu estou falando. Imaginem o público todo se amontoando cada vez mais perto do palco, ao ouvir os primeiros acordes de “Plane vs. Tank vs. Submarine”. Fechem os olhos e ouçam um coral poderosíssimo gritando “lie to me like you used to”, com diversos sentimentos já à flor da pele sendo colocados para fora.

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O que mais poderia acontecer depois disso? Muita coisa ainda. “I saw water” ainda fez todo mundo pular e cantar junto. “Never saw it coming” emocionou, apenas com Ben e Brianna no palco. “Window” fez o lugar quase vir abaixo, com o baixista Luke Schwartz descendo do palco e terminando a música no meio do público. Lembra quando eu falei sobre a inexistência de barreiras? Tá aí.

Ainda faltava alguma coisa? Sim. Faltava a banda retornar com “Escape plan” no bis. Ninguém podia pedir mais nada naquela noite. Só nos restava voltar pra casa, debaixo da chuva de São Paulo, com a alma renovada e a certeza de que o Tigers Jaw é uma banda que merece ser ouvida.

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