Liga da Justiça é o filme que queríamos?

Como falei no meu facebook logo após a estreia de Liga da Justiça, eu precisaria assistir duas vezes ao filme antes de escrever essa resenha. Não porque o filme seja complexo demais e precise de uma atenção mais acurada. Longe disso: é um filme simples, que realmente não pretende ser um novo Batman v. Superman. Também não foi porque eu gostei demais do filme e queria ver de novo. Na verdade, depois de assistir pela primeira vez, eu só não sabia o que pensar sobre ele.

Antes de mais nada, a questão talvez fosse saber o que a Warner pretende ao redirecionar o Universo Compartilhado DC – o que quer que isso signifique. A verdade é que seria necessário fazer um filme que atingisse o grande público, e não somente o público nerd, que há muito já deixou de ser o único que alimenta esse filão cinematográfico. E isso eles conseguiram. Liga da Justiça é um filme de fácil digestão, pronto pra agradar a quem está procurando por um filme divertido, feito para ser exibido na Sessão da Tarde daqui a alguns anos. Sinceramente, era disso que a Warner precisava para se manter no páreo e desenvolver seu universo de maneira rentável, continuando o sucesso de Mulher Maravilha.

JLA 3

Liga da Justiça foi, sem sombra de dúvida, o filme que eu mais esperei esse ano, principalmente porque, como fã da DC, me comporto como um torcedor querendo que tudo dê certo para seu time. Não, galera, eu não sou hater da Marvel por causa disso, inclusive acho uma imbecilidade sem tamanho os fãs das duas editoras alimentarem essa briguinha infantil sobre uma ser melhor do que a outra. Quero que as duas deem certo no cinema, porque isso significa que o público nerd sempre vai ganhar, com mais e mais produções surgindo. Porém, os heróis da DC foram os que eu cresci lendo, e é esperado que eu queira ver esses caras nas telas. E tudo indica que a coisa vai pra frente.

Resumindo, fico feliz de verdade se o sucesso do filme se confirmar, apesar de esse não ser o filme que eu esperava.

Nunca escondi minha admiração por Batman v. Superman e pelo caminho criado por Zack Snyder. Lembro de ter saído do cinema feliz da vida, porque tinha acabado de ver o Batman que sempre quis ver: amargurado, violento, bem Frank Miller. O clima sombrio do filme também me agradou e, para mim, era definidor do que seriam as sequências dentro do Universo DC.

Quando Liga da Justiça começa, temos uma gravação estilo footage envolvendo o Superman. Nesse momento, as imagens são muito mais claras do que em qualquer outro filme anterior, tornando evidente qual teria sido a participação de Joss Whedon nessa reformulação do longa: torná-lo mais palatável ao público, principalmente àquela parcela que rejeitou BvS.

JLA 2E isso funciona? Até certo ponto. Uma das maiores críticas desde Homem de Aço (2013) foi a maneira como havia sido feita a abordagem do Superman: o Último Filho de Krypton nunca havia sido tão problemático. No filme seguinte, quando Lex Luthor incita os heróis ao combate, ele afirma que seria uma batalha do dia contra a noite. Mas Superman estava longe de representar um contraponto ao Batman, pois ele também era sombrio. Parece que realmente o que faltava para ele era morrer e alcançar a redenção dentro desse novo Universo. E é o que acontece. Até o uniforme do herói aparece mais brilhante, o que ajuda a retomar a essência criada no cinema, já há tanto tempo, por Christopher Reeve. Esse talvez seja o ponto mais positivo do longa.

A Mulher Maravilha permanece intacta, tal qual a vimos em seu filme solo. O Aquaman de Jason Momoa é exatamente aquele que nos foi apresentado nos trailers, sem decepcionar. O Flash toma muito do personagem de Liga da Justiça sem limites, o que poderia fazer o personagem servir como alívio cômico da equipe. O problema é que esse alívio é totalmente desnecessário, uma vez que, a partir do momento em que a equipe se une, sobram piadas. E isso foi o que mais me incomodou.

Como falei agora há pouco, o Batman de BvS era o Batman que eu queria, e isso foi totalmente descaracterizado em Liga da Justiça. Em entrevistas recentes, Ben Affleck afirmou que isso se deve ao fato de o morcego fazer agora parte de um grupo e ter recuperado sua fé na humanidade depois de ter lutado ao lado do Superman. Sinto muito, mas não cola. A todo momento, Bruce Wayne reafirma sua angústia por supostamente ter causado a morte do Homem de Aço. Portanto, isso não condiz com as piadas que o roteiro coloca nas falas do personagem. Outro erro semelhante é a descaracterização do Ciborgue no decorrer do longa.

Concluindo, entre os acertos da volta do Superman e os erros na reconstrução do Batman, Liga da Justiça não era o que eu esperava. Vamos ver se a Warner vai atender aos recentes pedidos dos fãs e lançar para o público o corte original de Zack Snyder. Enquanto isso, a torcida é para que o filme encha os cofres da Warner para que o Universo DC continue a se expandir, de preferência com mais liberdade para seus diretores. Os nerds agradecem.

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