Masculinidade frágil não deve ser tratada com cuidado

É foda ser homem em 2017. É foda porque, em pleno 2017, ainda tem gente querendo determinar o que é ser homem e o que não é. Então, se você não gosta de futebol, não bebe cerveja ou não tem força pra erguer um saco de cimento de cinquenta quilos, você é qualquer coisa, menos homem. Você deveria ter nascido mulher, ou nem ter nascido, pois envergonha a espécie.

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Fomos ensinados pelos filmes de ação a sermos viscerais, imponentes, a não fugirmos da briga. A gente começa a fazer academia cedo, quer ganhar músculos; a gente raspa a cabeça, faz cara de mau, fode com a orelha treinando jiu-jitsu, tudo porque nos disseram que é disso que as mulheres gostam, que é isso que elas procuram num homem.

A gente vive com medo de fazer as coisas e ser tachado de “bicha”. Medo de tirar foto no espelho, de usar uma calça um pouco mais apertada, de escutar certo tipo de música. Bobeira da nossa parte? Total. Mas fomos criados assim, tendo que provar o tempo inteiro que “merecemos aquilo que temos no vão das pernas” – como se a gente escolhesse esse tipo de coisa.

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Comentário feito no post de uma página de produtos pra barba

Mas por que estou dizendo tudo isso? Porque tem me cansado cada vez mais ver posts dessas páginas do facebook de “hétero com orgulho” vomitando uma masculinidade simplesmente inalcançável, e pior: afirmando, com total certeza, que esse jeito – o deles – é a única maneira de ser homem. E, repetindo, em pleno 2017. Então, você é obrigado ser a favor de porte de armas; a ser o cara que mantém a casa; precisa prestar atenção na roupa que sua mulher tá usando pra ela não ser assediada na rua. Ah, vai tomar no cu, né?

Toda vez que vejo um post de uma dessas páginas, principalmente os com a cara do Bolsonaro, meu estômago embrulha. Eu lembro do meu pai, que só parou de falar que eu era gay depois que conheceu minha namorada, na época. Lembro de ser excluído várias vezes na escola por não querer jogar bola. E de todas as coisas que tive vontade de fazer e não fiz por medo do que iam dizer. Porque tudo o que essa ideologia tem a oferecer é uma morte lenta do homem, por dentro.

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“Os 3 P’s da masculinidade”. Aham, fera, tá ok.

Mas masculinidade não é uma coisa só, e estar descobrindo isso, ainda que aos poucos, tem me feito cada vez mais feliz e menos encanado. Afinal, da nossa vida sabemos nós – quase nada, mas sabemos –, e não devemos satisfação dela a ninguém. Eu sou homem, sou hétero, mas me desculpem, eu não vou entrar no esquema de ninguém pra provar isso.

Nem a pau.

2 comentários em “Masculinidade frágil não deve ser tratada com cuidado

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