Por que gostamos tanto do protagonismo infantil?

Assisti ao filme Extraordinário no último final de semana, já sabendo que é um daqueles filmes em que você sente vontade de chorar antes mesmo de começar. Das coisas que conquistam o espectador, a performance de Jacob Tremblay é a principal delas. O pequeno ator, de apenas 11 anos, que já havia mostrado o seu talento em O Quarto de Jack,  interpreta Auggie Pullman, um garoto que, devido a complicações genéticas, tem de fazer várias intervenções cirúrgicas para conseguir enxergar, ouvir e falar, e isso o deixa com o rosto deformado. Podemos dizer que o filme vai além do drama de Auggie, pois a trajetória vivida por ele também afeta diretamente aqueles ao seu redor.

tremblay-split

Suponho que você, leitor, já tenha assistido ou conheça algum filme ou série em que os protagonistas são crianças ou adolescentes, como por exemplo IT: A Coisa, Stranger Things, Dark ou 13 Reasons Why. E convenhamos: essa geração de jovens atores e atrizes, na qual se insere Jacob Tremblay, têm feito trabalhos sensacionais, cativantes também pelo fato de ainda serem apenas adolescentes.

Contudo, é bom lembrar que o uso de protagonistas adolescentes não vem de hoje. Nas décadas passadas, filmes como E.T., Os Goonies e Karatê Kid foram precursores quando se trata de protagonismo infantil. Mas com uma coisa temos que concordar: em questões de performance dramática, a nova geração tem se destacado, deixando-os no patamar de atores com anos de carreira. Além de Jacob Tremblay, Millie Bobby Brown e Noah Schnapp – que interpretam Eleven e Will Byers em Stranger Things, respectivamente – tiveram suas carreiras alavancadas depois de suas interpretações na série.

eleven e will

E aí, fica a pergunta: por que gostamos tanto de ver essas crianças como protagonistas? Além do enorme talento, creio que elas nos mostram um pouco do que éramos. De como ficávamos empolgados assistindo Os Caça-Fantasmas ou qualquer outra coisa, e nos imaginando no lugar deles, agindo como se fôssemos aqueles que víamos na TV. Nos lembram da fragilidade e da simplicidade que é ser adolescente.

Mesmo se tratando de ficção, é quase automática a identificação com as personagens. Por exemplo: que nerd não se enxerga jogando D&D no porão com os meninos de Stranger Things? Quantas vezes não ensaiamos o famoso Chute do Dragão de Daniel-san? Essas coisas influenciam a gente sem nem mesmo percebermos. Extraordinário nos influencia a lembrar o quanto é importante a amizade, independente de qualquer barreira. Auggie consegue cativar as pessoas com seu jeito doce e gentil, mesmo com muitos não querendo nem chegar perto dele por causa de sua aparência.

daniel san

Com uma geração inteira de atores e atrizes de tanto talento surgindo, as expectativas para o futuro só podem ser as melhores possíveis. O futuro do entretenimento está nas mãos deles – e parece que será extraordinário.

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