Em alguma rua da cidade

Existe uma frase bem conhecida rolando por aí, dizendo mais ou menos que os dois dias mais importantes da nossa vida são o dia em que nascemos e o dia em que descobrimos por quê. Nunca gostei muito dessa frase, erroneamente atribuída a Mark Twain – como muitos de nossos autores, mais uma vítima dos textos apócrifos que assolam a internet. E não gosto dela por dois motivos: primeiro, porque me lembra daquelas frases de efeito, típicas dos livros de autoajuda que eu tanto abomino; segundo, porque, apesar da suposta beleza que veem nela, há um quê de fatalismo, como se todos nós estivéssemos destinados a algo desde nosso nascimento e em um momento de epifania aquilo nos fosse revelado.

Sinceramente, acho tudo isso uma merda. A gente constrói, dia a dia, aquilo que somos – e somos construídos por aquilo que vivemos. E tudo isso pode ser, muitas vezes, obra do acaso; outras vezes, fruto da nossa vontade. Mas difícil é acreditar que haja um motivo pré-estabelecido para estarmos aqui, vivendo nossas vidinhas e esperando essa revelação divina que nunca vai chegar.

Nesse sentido, prefiro Charles Dickens que, no início de David Copperfield, nos apresenta um personagem que não se sabe nem mesmo herói de sua própria história, mas que sabe que as previsões feitas em seu nascimento não se concretizaram. Então, resta seguir o caminho que surge em nossa frente e ver no que vai dar. Ou escolher entre os vários caminhos que surgem, sem a menor certeza de que a escolha seja a melhor.

Não se trata, portanto, de descobrir o porquê de termos nascido, e sim de ter coragem de encarar o destino que criamos, dando umas cabeçadas por aí, acertando umas coisas, errando outras, caindo e voltando a andar mesmo aos tropeços, para depois contar essa história, bem ao estilo Holden Caulfield. Afinal, se o sol só aparece quando cisma de aparecer, temos de pisar em poças de vez em quando se quisermos continuar.

É por isso que criamos a Los Tres Caballeros: criar o nosso próprio caminho, pavimentando-o com música, com cinema e com poesia, não do jeito que tem que ser, mas do jeito que a gente quer que seja, independente dos infortúnios. E vamos ampliar todos os caminhos que já trilhamos em 2017, abrindo outros nem que seja à força, porque foi isso que escolhemos.

E aguarde. Vai vir muita coisa boa por aí. Fazendo chuva ou fazendo sol, vamos botar o dedo na cara desse tal de destino e mostrar que iremos por onde quisermos. Pra te incomodar. E se quiser incomodar junto com a gente, chama aí que a gente bate um papo. De qualquer forma, nos encontraremos esse ano, certamente, em alguma rua da cidade.

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