O Rei do Show – Um brinde aos musicais

Os musicais sempre foram um gênero à parte na história do cinema. Assim como acontece com os filmes de terror, há quem ame e assista a todos que surgem e há quem odeie e não consiga assistir por mais do que cinco minutos. Afinal, da mesma forma que há pessoas que não sentem o menor prazer em ficar em frente a uma tela levando sustos, outras não conseguem se conectar a um filme cujos diálogos são, em sua maioria, cantados.

Apesar dessa divisão clara entre o público de cinema em relação a esse formato, é fato que muita gente se sente atraída por ele – o que foi colocado em evidência em 2016, com a febre em torno de La la land – Cantando estações. O longa, estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling, tornou-se um símbolo da renovação dessa linguagem no cinema, vencendo todas as suas sete indicações ao Globo de Ouro e seis das quatorze indicações ao Oscar. Além disso, criou um séquito bastante grande de fãs que sempre aparecem nas redes sociais defendendo a obra de seus detratores (que a consideram superestimada, mas essa é uma discussão pra outra hora, já que hoje todo mundo parece ser crítico de cinema e isso é um saco).

Deixando os detratores de lado, o caso aqui é que La la land traz uma história apaixonante, sobre dois personagens absolutamente comuns, que querem sair da mesmice de suas vidas – ele, fazendo o jazz renascer; ela, tentando iniciar sua carreira de atriz – num filme por vezes metalinguístico, e quase sempre doce, mas com doses certas de amargura. A história sem dúvidas envolveria o espectador. Contada por meio de canções, o espectador se sente mais ainda motivado a participar daquela história e tomá-la para si.

Não é de se espantar, portanto, que 2017 terminasse com um novo musical em Hollywood: O Rei do Show (The greatest showman).

O-Rei-do-Show-1024x429Em primeiro lugar, posso dizer que o filme impressiona. As canções criam uma identidade para o musical – que conta, com muitas licenças poéticas, a história de P.T. Barnum -, trazendo a alegria do ambiente circense que o protagonista está buscando criar, ao mesmo tempo em que mantêm suas identidades próprias, ilustrando cada momento do longa de maneiras perfeitamente apropriadas. Hugh Jackman retorna aos musicais de maneira inspiradíssima, criando seu Barnum como uma força irrefreável da natureza. Palmas também para a atuação de Michelle Williams na belíssima cena do telhado em “A million dreams” e para Zac Efron, fazendo o que ele realmente sabe fazer. A cena em que ele e Jackman contracenam no bar (“The other side”) é fantástica. Ah, e tem a Zendaya, fantástica em seu número de trapézio, também com Efron, em “Rewrite the stars”.

O rei do show zac efronAcima de tudo, O Rei do Show mostra que os musicais estão vivos e muito bem, continuando uma tradição que começou lá em 1927, com O cantor de jazz, e nos brindou com clássicos como West side story, My fair lady, O mágico de Oz e, mais recentemente, Chicago e Moulin Rouge.

Algumas cenas arrepiam justamente por aliar diversas linguagens artísticas – o cinema, a música e a dança – a uma história emocional, que cativa facilmente. P.T. Barnum é retratado como um exemplo de dedicação a um sonho – mesmo que às vezes, seu sonho se confunda com pura ambição, mas sempre a tempo de buscar sua redenção. Afinal, apesar de ser um mestre da enganação, o “rei do embuste”, ele não é um vilão: é um herói do entretenimento cumprindo sua jornada de maneira extremamente humana.

E é por meio das músicas que resgatamos e reconhecemos essa humanidade. “From now on”, música que encerra o filme, é uma tradução disso. E nós, espectadores, o que fazemos ao nos deparar com isso tudo: saímos do cinema com as músicas na cabeça, cantando no caminho de volta para casa, celebrando a humanidade em forma de música e esperando o Oscar 2018.

 

 

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