The End of the F***ing World é do c***lho!

Adolescentes desajustados procurando seu lugar no mundo não são novidade pra ninguém. Dos anos 80 pra cá, os vimos aos montes em livros, filmes, HQs e séries de TV. A premissa é sempre a mesma: a ideia de que a adolescência é a pior fase da vida. Não porque depois fique melhor – sabemos que não fica –, mas porque sentimos o tempo todo que estamos sendo o contrário daquilo que deveríamos ser. Sentimos que o mundo pode acabar a qualquer momento e que, caso aconteça, a culpa será toda nossa.

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Isso é elevado à décima potência nessa série britânica de humor negro que estreou no Brasil este mês pela Netflix, na qual não há bullys, patricinhas ou preocupação com a carreira a ser seguida depois do colégio. Baseada na HQ homônima de Charles Forsman, The End of the F***ing World conta a história de James, um rapaz de dezessete anos, absurdamente apático e calculista, que, por conta disso, acredita ser psicopata; e Alyssa, uma menina rebelde que faz questão de ser desprezível aonde quer que vá, como forma de mostrar a todos sua dor e seu descontentamento com a vida.

A história, contada simultaneamente do ponto de vista dos dois, começa a partir do momento em que Alyssa, nova na escola, vê no garoto uma fuga do mundo que ela enxergava: um mundo cheio de gente hipócrita e superficial. James, que até então havia matado apenas animais pequenos como forma de tentar sentir alguma coisa, vê na moça uma vítima em potencial, alguém de quem ninguém daria falta, sendo ela quem é. Os dois se aproximam e, enquanto ela aprecia sua companhia por ele representar tudo aquilo que ela não odiava num ser humano, ele espera apenas o momento certo para atacar.

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No decorrer dos oito episódios, temas como abuso sexual, abandono, suicídio e assassinato são tratados abertamente, deixando, por vezes, um gosto amargo na boca, ao nos lembrar que aquilo pode tranquilamente estar acontecendo debaixo do nosso nariz. Aqui, não importa a empatia que criamos pelos personagens; nenhum deles sai impune das escolhas que fez. Entretanto, é bom dizer que a série em momento algum aponta o dedo na cara de ninguém – e ela faz questão de deixar isso bem claro.

Mas não é só na desgraça que a série se sustenta. No meio de todas as coisas ruins, James e Alyssa encontram refúgio um no outro, desenvolvendo uma sincera relação de amizade e confiança, à medida que suas certezas sobre si mesmos vão sendo quebradas. Ambos, que até então, cada um à sua maneira, odiavam o mundo e tudo o que nele havia, percebem que há, sim, coisas pelas quais vale a pena estar vivo, momentos incríveis que fazem valer toda uma vida de sofrimento, em uma das mais belas jornadas de amadurecimento já vistas na TV.

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Evidentemente não indicada a pessoas muito sensíveis, The End of the F***ing World é ácida, cativante, chocante e sensível, e está longe de ser apenas mais uma série a retratar a rebeldia gratuita da adolescência. É a Netflix abrindo 2018 com uma baita surpresa. E que seja só a primeira de muitas.

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