The Gifted – Ainda há espaço para séries de heróis?

Confesso que no início não me senti muito animado para assistir The Gifted, série da Fox baseada no universo dos X-Men. Depois de ver o cartaz e ler a sinopse, me pareceu mais uma série derivativa, uma mistura de Heroes com No ordinary Family. E todos sabem como a linha do tempo dos X-Men é confusa no cinema – coisa que a série poderia tornar ainda pior. Mas, como já acompanho todas as séries do Universo DC (o famigerado Arrowverse, da Warner) e as séries Netflix/Marvel, além de Marvel’s Agents of Shield, achei que seria deselegante com minha própria nerdice não dar pelo menos uma conferida nessa, pensando: com tantas séries de heróis por aí, será que ainda há espaço pra essa?

Fui conferir e não me arrependi. Nem um pouco, na verdade. E posso dizer sem medo que é uma das melhores séries de super-heróis da atualidade. Embora algumas coisas possam melhorar, a série acerta muito nos pontos positivos.

A primeira coisa a dizer é que a série parece se passar num universo diferente do dos filmes, então dá pra assistir tranquilamente, sem medo de ficar confuso.

O ponto de partida é a descoberta dos poderes de Andy Strucker, adolescente de 15 anos, filho de Reed Strucker, promotor público que dedica sua vida a colocar mutantes criminosos na cadeia. Como Andy destrói a escola quando seus poderes se manifestam, ele não tem bem como esconder sua condição, o que faz com que sua irmã, Lauren, revele a seus pais também ser mutante. Até aí, tudo bem. Pais assustados com a novidade, mas compreensivos, blá-blá-blá. O que eu não falei ainda é que a série se passa depois de 15 de julho, uma data em que, durante uma manifestação em nome dos direitos dos homo superior, houve um grande conflito entre humanos e mutantes, com mortes de ambos os lados mas que, claro, fez com que estes fossem perseguidos mais do que eram antes. A data é tratada na série como uma espécie de 11/9 mutante, ou seja, um evento de grandes proporções que, devido à extensão da tragédia, muda a maneira de todos verem o mundo. Um mundo em que não há mais X-Men nem Irmandade dos Mutantes.

The Gifted IIIA família Strucker, depois de tudo isso, acaba encontrando abrigo na Resistência Mutante, grupo criado pelos próprios X-Men antes de seu desaparecimento e liderado pelo Pássaro Trovejante. Pra mim, esse foi o principal erro da série, pois vemos uma atuação sofrível de Blair Redford, completamente sem expressão, além de o personagem ter sido muito mal trabalhado. As cenas em que ele usa seus poderes, com uma tentativa de deixar clara suas raízes indígenas, são completamente dispensáveis. Por sorte, temos o Eclipse de Sean Teale, que acabou conquistando seu espaço dentro da série e ganhando força a cada episódio (apesar de algumas boas ideias parecerem ter sido abandonadas). Além disso, seu personagem funciona muito bem com a Lorna Dane/Polaris, de Emma Dumont (maravilhosa, perfeita, melhor escolha para a personagem).

The Gifted IIEmbora os mutantes supostamente estejam do mesmo lado, os pequenos conflitos dentro da Resistência funcionam muito bem para que se crie a tensão da série, mantendo o interesse do espectador para o que acontecerá no fim da temporada. Tensão esta que se manifesta logo no início, dentro da própria família Strucker, e que vai se revelar fundamental para a construção da trama real dessa narrativa.

A HBO e a Netflix já mostraram que vale a pena investir em séries mais curtas, com algo em torno de 10 episódios. The Gifted funcionou muito bem com seus 13 episódios, com os dois últimos sendo exibidos em sequência no dia 16 de janeiro e com um teaser de 10 segundos já liberado. Resta-nos torcer pra que a série não se perca na 2ª temporada como já aconteceu com tantas outras. Mas o próprio desenvolvimento de alguns personagens – como a já citada Polaris – e a microinformação contida no teaser nos levam a esperar muito ainda dessa série, que já começou bem e promete.

Portanto, há espaço pra mais séries sim. Vai ficando difícil pra administrarmos nosso tempo, mas The Gifted prova que continua sendo um ótimo momento para os nerds. Vale a pena investir seu tempo nisso.

Ah, e tem Stan Lee, claro. Vai lá conferir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: