Canções pra curtir aquela bad

Há alguns dias, a gente publicou uma lista de canções pra animar seu dia. Mas é fato que, quando bate aquela bad, seja por qual motivo for, muitas e muitas vezes a gente quer ouvir aquelas músicas que traduzem o nosso estado de espírito. A explicação pra isso é muito simples: ao transformar nosso sentimento em canção, seja escrevendo, cantando junto ou apenas ouvindo, passamos por um processo de sublimação – que é transmutar o sentimento em arte – e de catarse – que é a explosão daquilo que está dentro de nós.

Nada mais justo, então, do que fazemos a nossa lista de canções da bad. Ouça, abrace o travesseiro, e escolha qual melhor se encaixa na sua bad de hoje.

R.E.M.Everybody Hurts: Eu nunca jamais em tempo algum faria uma lista de canções da bad sem incluir uma do R.E.M. Dessa vez, resolvi começar com uma deles, e foi uma dificuldade tremenda escolher com qual. O próprio Michael Stipe disse certa vez que seria capaz de ler a lista telefônica e fazer as pessoas chorarem. Depois de pensar pra caramba e refazer a lista algumas vezes, apelei pra minha memória emocional. “Everybody Hurts” foi a primeira música que ouvi deles quando ainda era moleque e lembro que eu me perguntava por que aquela música era tão triste. Talvez hoje eu consiga entender, já pela verdade do título.

RadioheadJust: Escolher uma canção triste do Radiohead é outra tarefa complicadíssima. Decidi escolher uma das antigas, do segundo disco da banda, The Bends, e fugir da obviedade de “Creep” e cheguei a “Just”, principalmente por causa da letra, que trata basicamente da culpa que sentimos ao perceber que causamos nossa própria dor.

Tigers JawPlane vs. Tank vs. Submarine: Iniciando a sessão emo/hardcore da nossa lista, coloquei uma música do Tigers Jaw, banda de que já falamos aqui. Impossível não sentir um arrepio na espinha ao ouvir o “Lie to me” do início da música. Uma peculiaridade do Tigers Jaw é aliar letras bem tristes a melodias que ironicamente parecem doces. Essa mistura gera um resultado fantástico. Vale a pena conhecer.

FresnoMilonga: Embora essa música não tenha sido tocada à exaustão nas rádios na época da explosão do emo no Brasil, tornou-se um clássico entre os fãs da Fresno. O início já anuncia que agora “vamos falar de solidão” e entrar num dos temas mais presentes na música em geral: o rompimento amoroso, numa letra metalinguística, que vai crescendo até a explosão de raiva no fim. Excelente para aquele momento em que a bad se transforma em ódio.

menores atosSobre cafés e você: Gente, se eu fosse dizer pra vocês escolherem apenas uma banda dessa lista pra conhecerem, seria o menores atos. Essa foi a primeira música que eu ouvi dos caras e depois disso não parei mais de ouvir. Música simples e intensa, capaz de levar qualquer um às lágrimas – no show, inclusive, lágrimas coletivas. Ouçam e ouçam e ouçam de novo.

HateenSem ninguém: Encerrando a sessão emo, Hateen. Também foi difícil escolher uma, mas optei pela que mais me emociona. “Sem ninguém” tem uma letra poderosíssima, sobre aquela sensação de chegarmos em casa e termos apenas uma coisa a encarar: nossa própria solidão, com a insônia e as mentiras que contamos para nós mesmos no fim do dia. Tão dolorida quanto o silêncio.

Legião UrbanaLonge do meu lado: Falar de Legião Urbana é falar de sentimento. Renato Russo não escrevia canções em que a gente não pudesse acreditar na sinceridade daquilo que está sendo dito. A tempestade é, com certeza, o disco mais triste da Legião, devido à debilidade da saúde do Renato naquela época. Lembro quando ouvi o disco, semanas antes de o Renato morrer, e da sensação que essa música me causou. Poucas vezes senti uma desesperança tão grande numa música.

ChandlerJoy DivisionDay of the Lords: Ian Curtis é a personificação do artista atormentado e o Joy Division foi uma das bandas mais importantes da história. Essa música, gravada no disco Unknown pleasures, é, pra mim, a melhor representação do que foi essa banda, com aqueles vocais nunca ouvidos antes e que definiram a identidade única do som que eles faziam. Pesadíssima.

The CureThe Last day of Summer: Praticamente todas as músicas do Cure se encaixariam com perfeição nessa lista. Mas Bloodflowers é um dos discos mais uniformes da banda nesse sentido, com músicas longas, que acentuam  o clima gótico que sempre os acompanhou. O título dessa canção prenuncia o fim: o último dia do verão, as luzes se apagam, vem o outono, as folhas caem e a tristeza vem junto. Lindo.

Patti SmithMy madrigal: Patti Smith é uma das maiores artistas da história da música sem qualquer dúvida. Em 1996 ela ressurge depois de anos com o álbum Gone again: uma coleção de músicas tristes pra ninguém reclamar. Traduzindo a dor da perda do marido e do irmão, ambas ocorridas no mesmo ano, o disco é um grande réquiem, belíssimo e triste, cujo ponto alto é “My madrigal”.

PortisheadOnly you: Desde a primeira vez que eu ouvi, penso: “como não amar Portishead?”. A voz de Beth Gibbons é poesia pura e enche nossos ouvidos de melancolia, no que pra mim foi a melhor representação do trip hop, entre todas as bandas que surgiram quando esse estilo ganhou espaço. “Only you” funciona como uma faca entrando aos poucos no seu coração. Ouça e comprove.

É essa a minha lista, gente. Confiram nos links das músicas ou na playlist que estou colocando aqui embaixo. Grande abraço e boa bad.

 

 

 

 

 

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