Não devemos acreditar em pessoas que não sabem sobre o que falam

Essa semana, enquanto via alguns vídeos que preenchiam a timeline do meu Facebook, um em particular me chamou a atenção. Não por ser um vídeo bom, interessante, com conteúdo e tudo mais. O que eu via era Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL (Movimento Brasil Livre) falando que “seu professor mentiu pra você”. Sendo mais específico, aqueles formados em História. Isso já foi suficiente para desmerecer o vídeo completamente, mas ainda me torturei por mais uns 30 segundos até ter a certeza de que ter arrancado um ouvido teria sido melhor do que ouvir aquele monte de merda.

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Que o MBL e os seus “líderes” tem um histórico de rivalidade com professores já não é nenhuma novidade, visto que os novos profetas da direita contemporânea brasileira sempre utilizam de argumentos caluniosos para desmerecer e desacreditar aqueles que, literalmente, estudaram para ensinar. O que é de abismar é que existem pessoas que preferem acreditar num economista (formação de Kataguiri pela UFABC) do que em um professor de História, que estudou sobre os acontecimentos do passado. Ou seja, chegamos a um ponto no qual preferimos acreditar que aquele que detém o conhecimento histórico sabe menos sobre o assunto do que um economista. Irônico, né?

Então quer dizer que, quando aprendemos durante os 12 anos de colégio (do 1º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio) sobre os fatos que aconteceram, era tudo mentira? Não, não podemos generalizar. Sendo mais específico: quando seu professor te ensina sobre o período em que ocorreu a ditadura militar, ele está mentindo? Ou quando ele fala que a Idade Média, época em que a Igreja Católica tinha o maior poder sobre o Estado (época que coincidentemente é conhecida como Idade das Trevas), ele está te doutrinando? Pois é isso que vemos em vídeos desses tais “líderes” do MBL.

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É absurdo termos chegado a tal ponto, em que toda pauta, todo assunto levantado que gere algum tipo de polêmica que envolva a quebra de tabus, é demonizado por aqueles que se dizem detentores do saber, da moral e dos bons costumes. Chega a um ponto em que a gente começa a se perguntar como podem existir pessoas que acreditem nesse tipo de manipulação.

No fim das contas, todos viramos massa de manobra, em ambos os lados. A questão em pauta é que preferimos acreditar em pessoas que, muitas das vezes, não tem nada além do conhecimento básico sobre o que fala, apenas por ter maior representatividade ou maior audiência do que aqueles que passaram parte significante de suas vidas adquirindo conhecimento para ensinar a outros.

Usando da lógica, concluímos que, se quisermos aprender sobre matemática não procuramos um fotógrafo, ou vice-versa. Então, por que acreditar num economista falando sobre História?
Pense nisso.

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