Especial Oscar: O destino de uma nação

O destino de uma nação, de Joe Wright, talvez seja o menos “oscarizável” entre os concorrentes a Melhor Filme deste ano pois, apesar de ter cara de Oscar, vem sendo eclipsado pelos demais. Acostumado a dramas históricos, o diretor apresenta com competência o momento em que Winston Churchill assume o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha, durante a Segunda Guerra Mundial, tomando decisões no mínimo controversas, mas que alterariam fundamentalmente a História, numa abordagem oposta à de outro concorrente ao Oscar que versa sobre o mesmo momento: Dunkirk, de Christopher Nolan. Enquanto neste, a trama é construída a partir de vários personagens, sem que haja necessariamente um protagonista, no longa de Wright, Churchill é o centro o tempo todo. E é aqui que reside todo o interesse pelo filme.

Estamos falando daquilo que pode ser chamado “filme de ator”. Gary Oldman, desde que surgiu com seu Sid Vicious em Sid & Nancy, se destaca por suas mudanças para encarnar seus personagens. Outro exemplo, seria seu Drácula no filme de Francis Ford Coppola. Porém, quando me refiro às mudanças do ator, não estou falando apenas das mudanças físicas, em que a maquiagem acaba por se tornar elemento fundamental. Oldman realmente se entrega a seus personagens, seja Sirius Black ou Beethoven. E óbvio que não seria diferente aqui.

05-Gary-OldmanO longa tem sua primeira cena construída no momento em que é prenunciada a queda do primeiro-ministro Neville Chamberlain e menciona-se o nome de Churchill para assumir a bomba que seria tomar as decisões na Grã-Bretanha naquele período. A partir daí, o personagem de Gary Oldman entra em cena para não sair mais. Tudo gira em torno dele. Você pode pensar: “óbvio, ele é o protagonista”. Mas é muito mais do que isso. A construção que Oldman faz de seu Churchill é quase magnética. O personagem atrai as atenções para si, tornando-se carismático sem ter qualquer carisma.

O que acontece é que, embora o longa não escape completamente dos exageros típicos de uma cinebiografia, há ainda certa contenção, ao estabelecer um recorte da vida de Churchill, correspondente apenas ao início de suas funções como primeiro-ministro britânico até o momento em que suas decisões começam a ser aceitas. Esse recorte permite que Oldman entregue-se completamente ao que Churchill era naquele momento: um personagem caricato, que esbraveja e gagueja o tempo todo, rejeitado por muitos e amado por quase ninguém, mas que está numa posição fundamental e é a pessoa para decidir os rumos de seu país na guerra, justificando o título do filme em português (que é bastante diferente de Darkest hour, título original).

Embora esteja irreconhecível por baixo da maquiagem, Oldman nos agracia com uma atuação impecável, sem a qual o filme não existiria. Seus exageros são absolutamente necessários para que uma personalidade das mais controversas ganhe a simpatia do público. Apesar de uns detalhes questionáveis, O destino de uma nação é um bom filme, eclipsado pelos demais concorrentes ao Oscar. Mas tudo o que o filme é, deve, sem dúvida, a Gary Oldman.

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