Especial Oscar: Dunkirk

À época da estreia de Dunkirk, em julho de 2017, escrevi, em uma pequena resenha na nossa página do Facebook, que esse seria um dos melhores filmes do ano. Contudo, fiquei surpreso ao saber de sua indicação ao Oscar de Melhor Filme, ainda mais por ser um filme lançado na metade do ano, exceção feita também a Corra!, lançado em maio. Acredito que a indicação comprove a relevância de Dunkirk e de seu diretor, Christopher Nolan.

Reafirmo aqui o que disse na ocasião: Dunkirk é uma experiência sensorial, feito para ser visto no cinema, de preferência numa sala iMax ou XD ou em alguma sala de tela enorme e som absurdo, independente do nome que o complexo dê a seu sistema. Dada a impossibilidade, o melhor é apelar para o Blu-Ray, porque nesse filme a qualidade da imagem e do som importa muito.

Primeiramente, devemos levar em consideração que se trata de um filme com grande economia de diálogos. Não é um filme praticamente mudo, como alguns comentaram à época de seu lançamento; mas é um filme em que a sequência de imagens determina a narrativa muito mais do que o texto. Os diálogos são bastante pontuais, servindo para situar o momento histórico e o sentimento dos soldados e outros envolvidos dentro da narrativa. Em alguns poucos momentos do longa, certos diálogos podem até ser considerados irrelevantes, uma vez que a construção imagética dá conta do que precisamos como espectadores.

Dunkirk 2Nolan afirmou certa feita que esse não seria um filme de guerra. Realmente. É um filme sobre humanidade e sobre desespero. O que se comprova na tela é que estamos nos deparando com um diretor de grandes cenas, que envolvem o espectador e fazem com que ele vivencie as situações experienciadas pelos soldados que deveriam ser evacuados de Dunkirk, num episódio da 2ª Guerra Mundial. Além disso, a escolha da estrutura narrativa se revela bastante ousada, pois a história se inicia em três momentos diferentes, sequenciados de maneira não linear: uma semana, um dia e uma hora antes da evacuação dos soldados – o que gera também pontos de vista diferentes acerca das ações. O personagem de Cillian Murphy, por exemplo, surge em dois momentos distintos, em posições completamente diferentes, caracterizando a mudança de perspectiva que os acontecimentos da guerra podem causar.

As cenas de afogamento criadas por Nolan são extremamente claustrofóbicas, o que nos leva a sentir do desespero daqueles homens que lutavam – muitas vezes individualmente – pela sua sobrevivência. Numa situação limite, seja na praia, seja no molhe, seja nos barcos, seja dentro do mar… o homem se resume à condição de sobrevivente – e isso justifica perfeitamente a escolha estética do diretor ao apostar nas imagens. Afinal, numa situação limite, quem se preocuparia com as palavras. É curioso notar como Dunkirk e O destino de uma nação (outro concorrente ao Oscar que tem o mesmo momento histórico como tema), visto que mostram dois lados do problema: Churchill como o homem que decidiu resgatar 30.000 soldados das praias de Dunkirk e os mais de 300.000 soldados efetivamente resgatados.

A quase sinfonia composta por Hans Zimmer contribui fundamentalmente para a criação dessa atmosfera proposta por Christopher Nolan. Concorrendo nas categorias técnicas diretamente com A forma da água, Dunkirk parece levar vantagem sobre o favorito da noite em Mixagem e Edição de Som. Mas, só saberemos o resultado no dia 4 de março. Até lá.

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