Especial Oscar: Lady Bird

Lady Bird: A hora de voar é um filme de inegável importância. Greta Gerwig é a quinta mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção na história, após ter sido ignorada no Globo de Ouro – o que rendeu um comentário certeiro de Natalie Portman ao anunciar os indicados. De lá pra cá, o burburinho sobre o filme cresceu e o nome de Greta foi se tornando mais conhecido.

Não me entendam mal: Lady Bird merece, sem sombra de dúvida, o hype que gerou, e é mais do que necessário que se abra espaço para mulheres na machista Hollywood. É um filme correto, com um roteiro bem feito e direção redondinha. Porém, eu esperava mais. E o motivo é apenas um: Frances Ha. Esse filme de 2012, dirigido por Noah Baumbach, é co-roteirizado e estrelado pela mesma Greta Gerwig, que roteirizou e dirigiu Lady Bird. Sendo inevitável a comparação – pois são variações do mesmo tema −, Frances Ha me pareceu muito mais competente ao retratar a vida de uma mulher comum.

Tanto Frances quanto Lady Bird – nome com que a jovem Christine McPherson batizou a si mesma e pelo qual faz questão de ser chamada – são mulheres comuns, que não se encaixam no estereótipo cinematográfico eternizado por Hollywood. Ambas querem alguma coisa de suas vidas em um mundo que exige que você se destaque. Contudo, Frances não é uma exímia bailarina, esguia e delicada, que se destaque na companhia de que faz parte; e Lady Bird não é uma aluna exemplar, que possa entrar na faculdade que quiser, nem a menina que é cobiçada pelos rapazes. É nisso que reside a beleza de ambos os filmes. E é nisso que Frances Ha se destaca.

Faltou em Lady Bird o charme indie do longa de 2012, aquele algo a mais que o preto-e-branco dava à atuação propositalmente desengonçada de Gerwig. Mesmo assim, o recado está lá: é possível ser quem você é, mesmo que o mundo dê todos os motivos para você não se aceitar. E, apesar de todos os tropeços e de umas quedas de cara no chão, ainda é possível ser otimista.

Saoirse Ronan soube dar corpo a isso, interpretando uma menina do início dos anos 2000, num mundo que estava mudando, a internet e os celulares começavam a ser uma realidade, mas nada poderia ser mais importante que nossas próprias dores – uma vez que só nós as sentimos.

Lady BirdLady Bird estuda numa escola católica, cheia de colegas ricas e completamente diferentes dela. Alguns de seus colegas são mais talentosos e outros têm melhores notas. Sofre por causa da situação financeira da família e por achar que a mãe não a ama. E tem as suas dores existenciais traduzidas num diálogo primoroso com sua mãe, interpretada com um talento ímpar por Laurie Metcalf, quando a personagem de Ronan questiona se aquela já seria a melhor versão de si mesma. Sinceramente, não interessa a resposta. Como muitas vezes na vida, interessa muito mais a pergunta, pois é ela que determina ser realmente essa a hora de voar. Esse foi o desejo de Lady Bird durante todo o longa. E é isso que ela precisa querer para si, com todas as suas forças, para tentar começar a se entender.

Continuo achando Greta Gerwig um talento enorme e continuo apaixonado por Frances Ha – o filme e a personagem – assim como muita gente se apaixonou pela Lady Bird. Sua indicação ao Oscar é merecida e não deu para entender sua exclusão do Globo de Ouro mesmo com seu filme vencendo na categoria Comédia ou Musical. Mas ela merece ser reconhecida, no mínimo desde 2012. E agora talvez seja a sua hora de voar.

 

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