Quem disse que o rock nacional morreu?

Insano. É o que se pode falar sobre a apresentação do Scalene na Hocus Pocus, em São José dos Campos, no último dia 16. É impressionante o poder dessa banda no palco. E triste ver como pouca gente se dispôs a ir até a Hocus pra ver os caras.

Embora o show tivesse sido divulgado como “Scalene + Versalle”, ficou óbvio que a maioria estava lá pra ver o Scalene – o que foi um tanto injusto pra falar a verdade. A galera que preferiu ficar do lado de fora durante o show do Versalle perdeu um show do caralho. A banda manda muito bem, com um som coeso, letras muito bem-feitas, presença de palco e tudo que uma banda precisa ter. O vocal por vezes me lembrou o tom do Jair Naves, ex-Ludovic e hoje com o projeto NavesHarris, outro artista que merecia muito mais espaço do que tem. Ouçam, porque vale a pena, assim como vale procurar umas bandas novas. Temos muitas aqui no Brasil, muitas tocando em lugares pequenos e o próprio público não valoriza.

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A verdade é uma só: num pequeno passeio por grupos que falam de rock’n’roll, lemos dezenas de mensagens propagando que ou o rock morreu, ou rock nacional acabou nos anos 80, ou o único roqueiro brasileiro é Raul Seixas, ou só existem Iron Maiden, Black Sabbath e afins na história do rock mundial.

Mano, é sério isso mesmo? Você realmente acredita nisso? Tá, tudo bem você gostar dessas bandas e só ouvir as mesmas músicas há 30 anos, beleza, ninguém tem nada a ver com isso, mas propagar que não existem outras bandas é um pouco pedante demais, não acha não?

O rock brasileiro tá aí, firme e forte, com excelentes bandas fazendo shows em todos os lugares, e você vai ficar aí perdendo seu tempo reclamando? Sinceramente, essa é a atitude menos rock’n’roll que você pode ter.

Lá na Hocus Pocus, o que a gente viu foi o seguinte: boa parte do público foi ver o Scalene pensando que eles se resumem ao que apresentaram no Superstar; a outra parte sabia exatamente o que essa banda é. Sem qualquer dúvida, o Scalene é uma banda de rock, com uma essência hardcore fodida, mas que é percebida por uma galera como pop. Imediatamente à entrada da banda no palco, se formou um mosh e algumas pessoas começaram a reclamar, ao que a gente só podia pensar: “sinto muito, gente, mas isso aqui é um show de rock de verdade”. Fora que é impressionante o quanto a banda soa muito mais pesada ao vivo, o que torna impossível não pogar. O som é muito conciso e não houve nem uma pausa do começo ao fim do show. Gustavo Bertoni tem uma presença que muitos vocalistas só sonham ter, sem contar que ele canta que é uma beleza.

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Outro ponto a se destacar é que as músicas novas, do praticamente recém-lançado magnetite, encaixaram-se com perfeição às músicas já consagradas, mesmo com a banda tendo incluído certas brasilidades em seu som (como em “esc”, por exemplo), o que agregou muito em termos de musicalidade. A maior parte do público comprou a proposta da banda e saiu de lá sem voz e muito, mas muito vivo, principalmente depois da porrada que foi “Danse Macabre”.

Por fim, a gente só pode perguntar: quem foi que disse que o rock nacional morreu? Não, cara, não morreu, tá vivo e vivo pra caralho, é só usar os recursos que todos nós temos à mão e conhecer as bandas novas. O Scalene é a prova mais do que viva de que ainda tem muita coisa boa por aí. E o disco novo mostra que eles ainda têm muito a oferecer. O rock não morreu e ele não precisa ser massificado na mídia pra ser conhecido por quem realmente quer conhecer música de qualidade. Você quer?

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