Vingadores: Guerra Infinita – crítica sem spoilers

Sem muita enrolação, a conclusão é a seguinte: Vingadores: Guerra Infinita é o filme mais corajoso do Universo Cinematográfico Marvel. Não teve medo de construir com profundidade seu vilão e não teve medo de lidar com seus heróis. Considerando toda a estratégia de marketing do filme, é mais do que justificável a campanha anti-spoilers feita pelos irmãos Russo, que, com esse longa, comprovam sua própria importância dentro o MCU, ao criar de forma competentíssima essa junção absurda de heróis que precisam se juntar para combater a maior ameaça já enfrentada.

Ao longo de um projeto de dez anos, iniciado com Homem de Ferro e a primeira menção à Iniciativa Vingadores, a Marvel experimentou diversos recursos e acabou descobrindo a famigerada “fórmula Marvel”, que consiste basicamente em pesar doses de ação e de humor. Em alguns casos, como nos filmes do Capitão América, nos deparamos com tons mais sérios, que aproveitam características inerentes à personagem sem desviar-se do entretenimento; em outros, como Guardiões da Galáxia e Thor: Ragnarok, prevalece o humor, por vezes jocoso, principalmente neste último.

Avengers 3Sob esse prisma, Guerra Infinita surge para trazer o equilíbrio perfeito a um universo que se expande há 19 filmes. E “equilíbrio” é a palavra-chave, uma vez que Thanos pretende justamente isso: equilibrar o universo, destruindo metade dele ao juntar as joias que compõem sua manopla do infinito. Claro que não revelaremos aqui se ele alcança ou não seu objetivo. Mas a Marvel alcança.

Ao longo desses 10 anos, houve poucos vilões memoráveis: Loki, Hela, Killmonger, Caveira Vermelha… Porém, desde sua primeira aparição, na cena pós-créditos de Vingadores, Thanos prometia ser o maior de todos. E realmente ele é o que mais dá trabalho aos Vingadores, agora unidos a Pantera Negra, Dr. Estranho, Guardiões da Galáxia e Homem-Aranha. Ele é o único que realmente causa medo e faz com que os heróis se sintam na iminência de serem derrotados. Para isso, o onipresente Josh Brolin dá vida a um vilão muito bem construído, desde sua motivação até a postura que assume diante dos heróis.

Avengers 2À medida que Thanos vai seguindo seu caminho, percebe-se uma gradativa mudança no tom do filme, que vai deixando de lado algumas piadas e assumindo uma face mais contida ao colocar seus heróis diante da morte. E a coragem do longa reside justamente aí. Não há medo ao tratar da tragédia, absolutamente necessária para que a história se desenvolva. Ao juntar seus personagens, às vezes por mero acaso – como o encontro entre os terráqueos e os Guardiões da Galáxia – o filme vai traçando seus diversos contornos e cada um vai assumindo seu lugar como a linha de frente entre o exército de Thanos e as joias do infinito. Não se trata em nenhum momento de defender a Terra, e sim o Universo.

Nesse cenário, temos que dar os parabéns aos criadores, já que todos os heróis tiveram seu espaço. Alguns mais do que outros, óbvio, uma vez que personagens como Homem de Ferro e Steve Rogers naturalmente assumem o posto de protagonistas. Mas todos têm tempo de tela, com destaque para o Homem-Aranha, que foi certeiramente bem aproveitado.

Tentando evitar spoilers ao máximo aqui – qualquer um pode estragar a sua experiência como espectador – só podemos dizer que nem tudo do que os irmãos Russo disseram se confirmou. Ou seja: mesmo tendo acompanhado cada vídeo e cada entrevista sobre Guerra Infinita, você vai ao cinema sem certeza de nada – e isso é muito bom, afinal há muitas surpresas e reviravoltas no filme, que fazem o tempo parecer não passar. São duas horas e meia em frente à tela, que se tornam imperceptíveis, tamanho é o envolvimento do espectador com o longa.

É um filme que vai arrancar risadas e também emocionar, tudo na medida certa. Aplausos foram constantes na sessão de estreia, como se estivéssemos numa peça. Os fan services distribuídos pelo longa são um presente para o público nerd, ao mesmo tempo em que cria-se uma história que agrada também ao público médio de cinema.

Entre acertos e desacertos ao longo de seus agora 19 filmes, pode-se dizer que Guerra Infinita é a junção de todos os pontos positivos que a Marvel apresentou até agora. Desde a cena inicial, sequência direta de Ragnarok, até a surpreendente cena final, passando pelas lutas entre os heróis e os filhos de Thanos (destaque para o Fauce de Ébano, genial), cada coisa está em seu lugar. Resta agora saber como Capitã Marvel e Homem-Formiga e A Vespa vão se situar em relação a tudo isso. E aguardar Vingadores 4.

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