Como eu consegui meus milhões

100. Sabe-se lá por que motivo esse número tem uma importância quase mágica para a maioria das pessoas. Talvez porque represente a quebra de uma barreira. Talvez porque separemos a história em séculos. Talvez porque gostemos de números redondos. Sei não. Só sei que chegamos aos 100 textos aqui na Los Tres Caballeros um tanto antes do previsto, mas com uma explicação bem simples pra isso: escrever não é apenas uma parte da vida de cada um aqui, mas sim o fundamento daquilo tudo que nos torna quem somos.

Pra falar a verdade, nem tínhamos percebido que estávamos chegando perto dos cem textos quando alguém então gritou e acordamos. Pensamos: “caralho, nem parece que faz tanto tempo que estamos escrevendo aqui…”. E realmente não faz. Ainda falta um tempo pra completar um ano de revista, então estamos nos comportando como quando aquela série chega num episódio qualquer da quinta temporada e os fãs começam a perceber que não é um episódio qualquer, é o episódio 100 e vai ser foda, talvez até morra alguém e a gente chore e lembre que foi o melhor momento da série.

Calma, calma… Aqui não vai morrer ninguém e estamos mais fortes que nunca. Começamos com três caras querendo escrever sobre umas coisinhas aqui e ali, falando um pouco de música, um pouco de cinema e uma seriezinha aqui e ali, e hoje estamos aqui, com uma equipe ainda pequena mas já maior do que dez meses atrás e com uma diversidade de textos que nos faz ficar cada dia mais felizes com as escolhas que fizemos.

É, não somos mais apenas três: temos novos caballeros e caballeras entre nós. Cumprimos nosso papel e falamos sobre cinema e sobre música. Fizemos literatura e fizemos jornalismo. Falamos de política e soubemos sobre o que não falar. Diversidade e representatividade se estamparam nas páginas da revista e não pretendemos parar por aqui. Nossas malas estão repletas de bagagens que nem sonhávamos ter mas que agora fazem parte de nós.

basement-4.jpgHá outros quadros em nossas paredes. Há outras canções tocando em nós. Você pode ficar, se sentar e ouvir com a gente. Colocamos um disco pra tocar e ele acompanha as nossas canções. Você pode cantar também se quiser. Pode ser um disco do Basement, que tal? Quando o Andrew cantar “because I never have enough”, a gente lembra que aqui nada é suficiente também, mas a gente dá um jeito e vai preenchendo a vida com nosso tanto de arte. Afinal, não queremos ficar trabalhando a semana toda pra ganhar dinheiro e comprar as merdas todas de que não precisamos.

Não sabemos de tudo que precisamos, mas sabemos que não queremos carros, casas, festas caras e o que quer que seja considerado bem-sucedido. Queremos nossos textos. Queremos nossa arte. Queremos agora e vamos querer sempre. Queremos o amor, a loucura e as tempestades, porque isso nos salvará. E novamente: você pode vir conosco. Ainda há um caminho longo bem ali na nossa frente. Podemos ouvir Radiohead enquanto caminhamos e conversamos sobre nossas conquistas imateriais. Às vezes vem uma explosão, às vezes vem um lamento e às vezes diminuímos a velocidade. Tudo depende do que queremos e do quanto queremos.

Se você chegou até aqui, há um pouco de nós em você. Somos irmãos nessa guerra todaTigers Jaw 2 contra o tédio e contra o ódio, reiterando o que já foi dito em algum lugar. Nossas canções ganham uma só voz, nesse multiverso que estamos construindo. Não sabemos onde estará o fim de tudo, mas quando chegar saberemos nos sentar e apreciar o cataclismo, ouvindo Tigers Jaw, lembrando de tudo que aprendemos e daquelas pequenas transgressões que viraram poesia.

Tudo que escrevemos nos trouxe até aqui. Tudo que escrevermos nos levará até lá. Comporemos canções e escreveremos filmes. E espero que você esteja conosco.

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