Entenda o seu lugar no mundo, ou fique quieto

Muita polêmica tem estampado as páginas de redes sociais nos últimos dias. A notícia de que a câmara dos deputados da Argentina aprovou em disputa acirrada a descriminalização do aborto trouxe, para a superfície das postagens, tanto comemorações daqueles que são favoráveis à causa, quanto ódio e repúdio total daqueles que são contrários a ela. Algumas semanas antes, o mesmo aconteceu na Irlanda, um dos últimos países da Europa a aprovarem tal medida.

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Ultimamente, muito têm se falado sobre lugar de fala, e algumas pessoas (eu, inclusive), por algum tempo, ficaram sem entender o sentido real disso. Grosso modo, o lugar de fala é a liberdade de um determinado grupo social, se assim podemos chamá-los, para expor suas ideias e conceitos. Muitos desses grupos sofreram repressão durante toda a sua história e, hoje, com a crescente da liberdade de expressão e o espaço através de redes sociais e sites, eles têm encontrado tal espaço. E aonde eu quero chegar com tudo isso?

Muitas pessoas de uma parcela conservadora da sociedade destilaram palavras de ódio contra as medidas tomada por Argentina e Irlanda. A pauta é discutida há algum tempo no Brasil e, convenhamos, parece utópico que um dia consigamos alcançar esse feito. Mesmo com tanta diversidade, somos parte de um país extremamente conservador, e a tendência, infelizmente, é que isso cresça, se repararmos em qualquer conversa paralela, seja de jovens ou adultos, o teor dos argumentos e pensamentos dos mais conservadores. Um dos argumentos é de que aqueles que lutam pela descriminalização do aborto são a favor do aborto, o que sabemos que não é verdade.

Não existe tal coisa como ser a favor do aborto. Falar isso é como falar que incentivam a medida da interrupção da gravidez, o que é absurdo. As reivindicações são para que a mulher que tomar essa decisão, que não deve ser nada simples, consiga fazer isso de forma segura, para que a integridade física dela não se comprometa.

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Voltando ao lugar de fala, é revoltante vermos tanta gente metendo o bedelho onde não deve. Algo que aprendi sobre isso é que, se você não tem nada a acrescentar, não se mete numa luta que não é sua. Voltamos ao ponto em que não devemos dar ouvidos para quem não sabe sobre o que fala.

O fato é que, em todos os lugares onde a descriminalização do aborto aconteceu, houve uma queda considerável das mortes de mulheres que interromperam a gravidez, além da queda considerável do número de abortos realizados por ano. Então, todo esse alvoroço de que, caso a descriminalização aconteça, as mulheres vão abortar todo mês, e outros absurdos para causar comoção daqueles com o emocional mais fraco, não passa de falta de informação e sensacionalização, porque faltam argumentos plausíveis para contradizer a medida.

O Senado da Argentina ainda precisa aprovar em 2ª instância a descriminalização do aborto, mas podemos dizer que, só por ter passado pela Câmara dos Deputados, já é um grande avanço humanitário para o país e, principalmente, para as mulheres, que são as principais envolvidas pela causa. Esperamos que, um dia, essa utopia humanitária chegue também até nós.

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