4 Super-heroínas que mudaram o universo das HQs

Nem todos sabem mas, a princípio, a Mulher-Maravilha não era uma super-heroína (pasmem!). Um dos nossos principais ícones femininos nos quadrinhos mal participava de missões pois atuava como secretária da Sociedade da Justiça da América (primeiro grupo de super-heróis a aparecer nas HQs da DC Comics). Porém, a revista da Sociedade da Justiça foi cancelada em 1951, e Diana acabou ganhando um gibi só dela. Lembrando que os dois únicos super-heróis que tinham quadrinhos exclusivos na época eram o Superman e o Batman! Logo, vemos que ela foi a primeira forma de representatividade em meio aos super-heróis. Ao longo dos anos (muitos, diga-se de passagem), padrões sociais são questionados e muitas vezes quebrados, e as editoras de quadrinhos acompanham essas mudanças. Aqui, ficam algumas delas, representadas em grandes personagens femininas da DC e da Marvel:

1- Miss Marvel (Kamala Khan)

Kamala Khan. Uma das heroínas da Marvel mais incríveis que conheço, por sair de qualquer tipo de estereótipo usado para retratar mulheres poderosas nos quadrinhos. Uma adolescente de 16 anos, paquistanesa-americana, estudante do Ensino Médio, apaixonada por nerdices (inclusive, escreve fanfics dos Vingadores) e que sonhava ser Carol Danvers, vulgo Capitã Marvel. Ela e seus pais se mudam do Paquistão para Jersey City. Lá, ela tem seus poderes ativados pela Bomba Terrígena por ter linhagem Inumana latente. Alguns de seus poderes são transmorfismo, alongamento e fator de cura acelerado. Uma garota que não precisou de saias curtas ou um corpo erotizado para ser – e muito! – poderosa.

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2- Tempestade (Ororo Munroe)

Tempestade é membro dos X-Men, um grupo de heróis mutantes lutando pela paz e igualdade de direitos entre mutantes e humanos. O grupo ideal para encaixar uma personagem mutante, negra e órfã depois que seus pais foram mortos no meio de um conflito árabe-israelense. Ao encontrar o Professor Xavier, Ororo desenvolve seus poderes sobrenaturais e naturais, como seu poder de alterar o tempo e habilidades de liderança (tanto que liderava os X-Men às vezes e foi membro de equipes como os Vingadores e o Quarteto Fantástico). Infelizmente, Ororo é uma das pouquíssimas heroínas negras, mas que felizmente tem seu devido valor.

Tempestade Ororo Monroe Marvel Comics.jpg

3- Batwoman (Kate Kane)

O manto de Batwoman foi inicialmente usado por Kathy Kane para ser o par romântico do Batman em 1956, na Era de Prata. Vemos, assim, o quão valorizado era o papel da mulher… até porque, para que ela salvaria o dia, se ela poderia estar nos braços do destemido Batman, não é mesmo?! Ironias à parte, na nova linha do tempo, nos anos 2000, a personagem retorna com orientação sexual diferente. Nos quadrinhos atuais, Batwoman é lésbica e faz parte das Forças Armadas dos Estados Unidos. Ao sair das Forças Armadas, ela recebe treinamento com o Batman, que agora é seu primo, e apoio de seu pai, para combater o crime. Ao serem questionados sobre o porquê da mudança na origem e na orientação sexual da personagem, os diretores da DC Comics disseram que pretendiam diversificar seu público (sem palmas, estava mais do que na hora).

4- Batgirl (Bárbara Gordon)

Mais uma grande mulher do Batverso a ser citada é a famosa Batgirl. Ela, que era bibliotecária de dia e super-heroína de noite, além de filha do Comissário Gordon, já foi muito estereotipada pela DC Comics. Ela foi criada para participar da série do Batman, mas escolheram manter a personagem como coadjuvante do Morcego de Gotham. Batgirl tornou-se a típica heroína que sofria pressão estética, passando por uma erotização enorme e usada como segundo plano. Seu papel era tão desvalorizado que uma das revistas da DC teve como capa Batman e Robin lutando contra vários vilões de fundo e ela passando batom como se nada estivesse acontecendo na frente. Ainda bem que os tempos mudam e, com ele, os personagens também. Batgirl foi repaginada um pouco antes dos anos 2000, dessa vez com um corpo sem erotização ou vulgaridade, e habilidades desenvolvidas. O ápice de seu valor foi quando, ao ser baleada pelo Coringa e ficar paraplégica, Bárbara continuou lutando ao lado de Bruce, dessa vez como Oráculo, ajudando-o intensamente. Ao curar-se, continuou atuando como Batgirl e mostrando cada vez mais seu valor. Atualmente tem sua série própria de gibis no Rebirth.

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Essas são algumas das personagens femininas que tiveram maior impacto social ao serem fruto de uma representatividade diversificada. Entretanto, a maioria das personagens femininas ainda são vulgarizadas e servem de segundo plano para personagens masculinos. Esperamos que, com a onda feminista e com as mudanças atuais, histórias como essas sejam mais frequentes no mundo dos quadrinhos e que a equidade de gêneros, raças, orientação sexual, entre outras igualmente importantes tenham seu espaço nessa arte que os/as nerds tanto amam!

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