No país do futebol, machismo é lei

A Copa 2018 trouxe uma novidade: O incômodo com o machismo no futebol. Inclusive há o movimento “Mulheres de Arquibancada – Resistência e Empoderamento”, formado por feministas brasileiras, englobando várias torcidas, para discutir pautas relacionadas à equidade de gênero no ambiente futebolístico. Ou seja, é preciso falar sobre o sexismo no futebol.

Tendo em vista que vivemos em um país com uma cultura machista, construída por séculos desde o “descobrimento”, a ideologia de que o gênero masculino é superior ao feminino tornou-se quase uma regra social. Com isso, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, em todos os âmbitos, inclusive (e talvez com mais força) no futebol.

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Um exemplo disso: 52% da torcida do Corinthians é feminina, porém, de acordo com Mônica Toledo (uma das fundadoras do Movimento “Toda Poderosa Corinthiana”- coletivo que incentiva a presença feminina nos jogos e luta por equidade de gênero dentro, e fora, do clube),  as mulheres não têm representatividade política dentro do Clube, pois são minoria entre os conselheiros. Também não se vê uma técnica ou preparadora física nos Clubes, por exemplo. O espaço é muito fechado e permeado de preconceito.

Outro exemplo é dentro de campo: O Brasil tem jogadoras talentosas que sofrem com baixos salários, desinteresse de marcas em investir na modalidade, nenhuma estrutura das equipes de base e falta de profissionalização da categoria. Para se ter uma ideia, de acordo com o Nexo Jornal, “o público da primeira partida do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino deste ano foi pequeno. Ao todo, 420 ingressos foram vendidos, rendendo um prejuízo de R$ 5.300. Para se ter ideia, em 2016, o Brasileirão masculino teve uma média de 15.293 espectadores pagantes por partida. Mas, no futebol feminino, eventos vazios e pouco interesse do público são fatos corriqueiros.”

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Isso reflete no que temos presenciado na Copa do Mundo da Rússia. Muitos torcedores humilhando mulheres e tratando-as como mero objeto, na maioria das vezes, sexual. O caso mais polêmico, até agora, foi o de torcedores brasileiros que fizeram uma mulher repetir, sem saber do que se tratava, palavras referentes ao órgão genital feminino. A repercussão foi internacional e o Ministério Público do Distrito Federal abriu um inquérito para investigar o caso, com base nos Artigos 1 e 3 da “Convenção Internacional sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher”.

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Na história da humanidade, a mulher foi proibida de estudar. A mulher foi proibida de dirigir. A mulher foi proibida de votar. A mulher foi proibida de trabalhar fora de casa. A mulher foi proibida. Em várias nações, em vários idiomas. Foi e continua sendo, porque, enquanto esse preconceito, explícito ou velado, nos proibir de, ao menos, torcer num simples jogo de futebol, continuaremos reféns das violentas e restritas regras de uma sociedade patriarcal sexista.

O futebol é, então, só mais um reflexo das lutas diárias que enfrentamos com a nossa ideia “radical”, como já disse Mary Sheer, de que “as mulheres são pessoas”. Apenas.

 

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