Homem-Formiga e a Vespa – crítica sem spoilers

Para quem acompanha toda a construção do Universo Cinematográfico Marvel, foi impossível não criar um hype monstruoso para a estreia de Homem-Formiga e a Vespa. Mas acredito que o mesmo não tenha acontecido com o público médio de cinema, já que na sessão de estreia a sala estava com menos de metade da lotação. Claro que não esperava o público de Guerra Infinita, mas confesso a decepção pelo suposto desinteresse pelo filme.

Pensemos então em duas coisas: por um lado, a Marvel criou um Universo bem planejado e bem construído ao longo de seus agora 20 filmes, em que os principais fatos se entrelaçam ao mesmo tempo em que a maior parte deles consegue manter sua independência narrativa para atingir também o público casual, e não apenas o público nerd; por outro lado, heróis com menor apelo popular acabam penando muito mais para fazer dinheiro, mesmo em bons filmes. Esse é o caso do Homem-Formiga.

O primeiro longa é muito bem feito e tinha a missão de apresentar Scott Lang e todo o universo que envolve o herói, além do famigerado reino quântico, cuja função dentro do MCU ainda era desconhecida. O segundo deveria apresentar a Vespa de Evangeline Lilly como protagonista e resolver pequenos pontos relacionados ao futuro do Universo Marvel.

Pois bem. Homem-Formiga e a Vespa realmente se assume como uma comédia, deixando mais uma vez clara a intenção do Marvel Studios em produzir filmes de gênero, indo além dos “filmes de super-heróis”, simplesmente. Nesse sentido, o longa em questão cumpre sua função, com um Paul Rudd fazendo o que sabe fazer desde Friends: um personagem leve, que arranca risos com facilidade. Porque Scott Lang é um cara comum, com problemas comuns, que se vê jogado num mundo totalmente estranho pra ele, mas que não deixa de ser ele mesmo e, por mais que as coisas fiquem difíceis (afinal, é um filme de heróis), sabe manter a leveza.

homem-formiga-e-a-vespa-760x428O Hank Pym de Michael Douglas é muito mais bem explorado do que no primeiro filme e a espera pela Vespa original, de Michelle Pfeiffer é mais do que justificada. Michael Peña ressurge como Luís e protagoniza alguns dos momentos mais engraçados da história. Esperamos por ele da mesma forma que esperamos pelo Mercúrio nos últimos filmes dos X-Men. É aquela cena que não modifica tanto a narrativa mas que todo mundo gosta.

Quanto aos vilões, bem… A Ghost poderia ser muito mais interessante, apesar de ser uma vilã com motivações justificadas e distantes do lugar-comum, a personagem de Hannah John-Kamen, que começa muito bem, poderia ter um desenvolvimento muito melhor do que apenas servir de contraponto aos mafiosos típicos de comédias malucas dos anos 80. Seria absolutamente necessária uma alteração na interpretação que a atriz dá ao personagem em determinado ponto do filme. Mais uma vez, a Marvel peca na construção do vilão.

Pra compensar, temos o melhor do filme: Evangeline Lilly. O diretor Peyton Reed sempre deixou claro que a sequência de Homem-Formiga não seria um simples Homem-Formiga 2, mas que haveria um desenvolvimento e um destaque maior para a Vespa. Quando o título foi divulgado, tendo a Vespa no título, soube-se quão grande seria esse desenvolvimento. Apesar de não ser um filme solo de heroína – cuja tarefa recairá sobre Capitã Marvel – há que se comemorar o primeiro filme da Marvel com uma protagonista feminina.

homemformigaimgEmbora a participação de ambos os protagonistas seja bem dividida, a personagem de Lilly rouba as cenas, mostrando que ela desde sempre foi a escolha certa para o papel. Além do carisma necessário, a atriz domina as cenas de ação e se destaca como uma personagem forte, inserida de forma fundamental nos planos da Marvel. Não se sabe qual será sua participação em Vingadores 4, mas torcemos para que ela continue sendo bem aproveitada.

Não vou comentar a cena pós-créditos aqui porque seria um spoiler desleal. Só posso dizer que, apesar de o filme poder ser entendido por si só, são feitas algumas amarrações com Vingadores. Para quem não está tão ligado no MCU, talvez fosse interessante assistir Guerra Civil e Guerra Infinita (se alguém no mundo ainda não assistiu), além, obviamente, do primeiro filme do Homem-Formiga. Mas principalmente sua relação com Guerra Civil é bem explicada, num momento quase Christopher Nolan da narrativa.

Resumindo: Homem-Formiga e a Vespa vale muito a pena, seja você o nerd consumidor voraz de cinema e de quadrinhos, seja alguém que está procurando um filme divertido pra preencher o fim de semana. É, sem dúvida, um filme para todos os gostos.

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