Hoje é dia de rock!

Já tratamos disso aqui, mas é tanta gente reclamando, tanta gente se achando dona da verdade – e até pior: tanta gente se achando dona do estilo, ditando regras e tornando a história do rock muito pior, que vamos falar de novo. Embora a galera tradicionalista teime em dizer que o rock morreu, nada podia estar mais distante da verdade. Tem muita coisa boa, muita banda criando e tocando por aí. Então é isso: pra afastar os dinossauros, vamos falar de bandas relativamente recentes, que estão na ativa, fazendo um som que só não agrada quem estiver munido com seus preconceitos.

Então, só pra avisar de novo: essa lista foge de tradicionalismos. Então, abra seu coração e vamos lá, que tem rock triste, alegre, pesado, dançante, em português, em inglês, com toques de brasilidade, de música eletrônica e tudo mais – afinal, o rock é inovação desde os Beatles!

  1. distopia – Scalene: A maioria das pessoas conhece o Scalene por sua participação no Superstar, da rede Globo. Porém, eles são muito mais do que isso. Em seu último álbum, magnetite, a banda arrisca novas sonoridades, mas sem perder o peso e o tom crítico que lhe é característico – muito presente na letra de “distopia”. Além disso, apresenta um dos melhores shows da cena atual.
  2. Deadmen – Far From Alaska: Com letras em inglês, o Far From Alaska é uma das bandas mais interessantes no Brasil hoje e uma das melhores coisas surgidas nos últimos anos. Talvez enfrente certa resistência justamente pelo fato de cantar em inglês, embora isso se encaixe muito bem na sonoridade que eles se propõem: um rock vigoroso, com os vocais femininos e o peso das melodias unindo-se perfeitamente. Ouça e tente resistir. Se você não gostar, é porque pra você o rock morreu mesmo.
  3. Bleeding – Deb and The Mentals: Essa foi uma das minhas descobertas mais recentes entre as bandas dessa lista. Também com letras em inglês, os vocais da Deb remetem a uma sonoridade meio anos 70, unindo-se a um instrumental que imediatamente dá vontade de pular e dançar. E, entre outras coisas, não é justamente pra isso que o rock serve?
  4. Gangorra – Bullet Bane: Segunda faixa de Continental, lançado no ano passado e primeiro álbum em português da banda, “Gangorra” é uma porrada na orelha, iniciada com a força do verso “Nada é constante demais”. Se nada é constante, por que o rock tem que ser? Como a maioria das bandas dessa lista, o Bullet Bane representa a força do underground: uma banda que está constantemente na luta, mantendo a cena viva.
  5. Amanhã – menores atos: Como sempre, menores atos presente na Los Tres Caballeros. “Amanhã” foi o terceiro single lançado antes de lapso, segundo disco da banda, vir ao mundo em junho deste ano. Tem tudo de que um bom rock precisa: melodia e sentimento. Simplesmente ouça. É o que de melhor existe no rock brasileiro hoje.
  6. Massarrara – Selvagens à Procura de Lei: E tome brasilidade e suingue com esse som que abre o segundo disco da banda. O equilíbrio entre esses dois elementos e o rock’n’roll é o que define o estilo do Selvagens – o que fica marcante nessa música cheia de ritmo aliado a uma letra ácida.
  7. Porrada – Vivendo do Ócio: Seguindo uma linha parecida com o do Selvagens à Procura de Lei, mas com uma identidade própria, o Vivendo do Ócio é uma das bandas mais promissoras do rock brasileiro atual, fazendo questão de deixar em evidência sua identidade regional, tanto nas letras, quanto nas linhas vocais. “Porrada” está no último lançamento da banda, Selva Mundo, e faz uma crítica genial, com direito a citação a Lampião.
  8. O meu lugar – Black Days: Apesar da excelente qualidade, o Black Days ainda não tem nenhum álbum lançado, mas vários singles. “O meu lugar” é um deles – um dos melhores, por sinal, em uma coleção de músicas realmente muito boas. A banda une peso, melodia e letras bem bacanas. Vale a pena parar pra ouvir e prestar atenção no que está sendo dito. Ah, e o show dos caras também é foda!
  9. 33 lobos – Chuva Negra: Já há alguns anos na cena hardcore, ano passado o Chuva Negra participou da coletânea Flecha Discos vol. 1 (que também contou com menores atos, Zander e Bullet Bane) com três faixas, entre as quais “33 lobos” – música crítica, fazendo referência a um estupro coletivo ocorrido no Brasil, num discurso contra a culpabilização da vítima. Sim, o rock ainda é crítico.
  10. The swan song – Taunting Glaciers: Segunda parte do single Eulogy maker/The swan song, lançado ano passado, essa canção cria o clima etéreo, flertando com o ambient e alternando vocais ora calmos, ora agressivos. Essa alternância, presente desde o grunge até o Nu metal, também é característica marcante do que se convencionou chamar post-hardcore – estilo no qual o Taunting Glaciers se insere e que representa mais uma reinvenção do rock.
  11. Contramão – Pitty: Pra terminar a lista, nada melhor do que ela. De volta às turnês, Pitty lançou esse single este ano, com a participação de Tássia Reis e Emmily Barreto (do Far From Alaska). Ao mesmo tempo em que parece não fazer nada tão novo assim, uma vez que lança mão da mistura entre rap e rock, representa um leve frescor nessa cena do rock não tão underground. Pra quem torce o nariz pra mistura, lembre-se do quão benéfica foi a parceria entre Aerosmith e Run-DMC, no já longínquo 1986, revitalizando o gênero.

O melhor de tudo? Ouvir essa lista – ou qualquer outra que você quiser – e ser feliz, sabendo que todo mundo tem seu espaço.

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