Coringa e Arlequina: Relacionamento abusivo não é piada

A maioria das pessoas conhece a relação entre Coringa e Arlequina; sabem que, juntos, formam o casal de loucos mais admirado por todos (mesmo entre aqueles que não são fãs de tudo que envolve o Universo Nerd). A questão é: essas pessoas realmente entendem como o relacionamento deles funciona? Eu diria que parcialmente, já que poucas veem algum paralelo com questões problematizadoras da vida real, ou seja, as pessoas ”normalizam” a relação entre eles, e, para entender a fundo, é necessário primeiro conhecermos melhor o casal.

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Harleen Quinzel era uma jovem psiquiatra que tinha começado a trabalhar no Asilo Arkham e escolheu o caso do Coringa para cuidar, acreditando que podia curá-lo em alguns meses. Coringa, que tem uma das várias versões de sua origem contada na HQ A Piada Mortal, é um louco que abstrai qualquer limite que o ser humano conhece. A partir disso, Harleen começa suas sessões com Coringa, se surpreendendo cada vez mais, uma sessão após a outra. O que ela não esperava era que ele a manipulasse ao ponto de ela acreditar que eles estavam apaixonados. No entanto, apenas ela estava, não havia reciprocidade (mesmo que ela não visse isso). E, assim, ela o ajuda a escapar do Arkham diversas vezes até decidir fugir com ele e então se tornar a famosa Arlequina. A partir desse momento eles se tornam a dupla mais doida que Gotham poderia ter. Poderia ser um ”amor diferente” ou uma ”paixão incompreendida”, não fosse pelo fato de a relação entre eles ser totalmente abusiva – o que não pode ser normalizado ou romantizado.

Uma relação abusiva se caracteriza pelo excesso de poder de um sobre o outro pelo o desejo de controlá-lo. Desde o início, o Coringa demonstrou ter poder sobre a Arlequina, manipulando-a e, a partir disso, obtendo’ controle sobre ela. E o que de fato evidencia o relacionamento abusivo deles é que, apesar de suas agressões verbais e físicas serem claras e constantes, Arlequina está presa a ele. Mesmo que por alguns (poucos) momentos de lucidez ela se dê conta e tente abandoná-lo, ele sempre sabe o jeito certo de fazer com que ela volte para seu ”Pudinzinho”. E não é tão simples ela simplesmente deixá-lo para trás, pois ela sente necessidade de manter esse relacionamento.

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Muitos acreditam que isso é mera ficção, que na vida real não acontece de um homem bater em uma mulher, torturá-la com essa frequência ou agredi-la psicologicamente ao ponto de desenvolver diversos problemas (como baixa autoestima, ansiedade, etc). Porém, infelizmente, inúmeras mulheres se encontram na mesma situação em que Arlequina é retratada e sofrem diariamente com agressões desse tipo ou (acreditem) piores. Isso é bem relatado no perfil ”Mas ele nunca me bateu”, no Instagram, com histórias de mulheres que se encontram nesse tipo de relacionamento e, além disso, o site do G1 publicou recentemente uma matéria retratando o aumento do feminicídio (ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero)  no Brasil, onde, em média, doze mulheres são assassinadas todos os dias

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Logo, a importância da discussão sobre esses personagens e sua relação, é extremamente grande, pois transcende o universo da ficção para o da realidade. Hoje você pode ter lido uma HQ em que o Coringa tentou matar a Arlequina e dez minutos depois estava  chamando-a de ”minha”, porém, lamentavelmente, amanhã você pode estar conhecendo alguém que passou por essa mesma situação. Relacionamentos abusivos não são uma piada, e você, leitor, não deve rir disso.

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