Imigração – holofotes necessários

Veja como é engraçado esse tal de mundo em que vivemos. Há pouco mais de um mês, Donald Trump chocava o mundo com a sua política anti-imigrantes, com notícias estampando os jornais, mostrando crianças sendo separadas de seus próprios pais dentro dos centros de imigração, nos EUA. Essa política radical pregada pelo atual presidente da maior potência do mundo tem sido representada em diversos casos, protagonizados por pessoas que compartilham das mesmas ideias. Um dia, vemos um advogado reclamando por ouvir funcionários de um estabelecimento falando em espanhol. Em outro, vemos uma mulher agredir um senhor de 91 anos, dizendo para ele “voltar ao seu país”.

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Crianças separadas em jaulas na imigração dos EUA.

Ironicamente, alguns dias atrás, vimos algo que contradiz essa política. O mundo inteiro parava para acompanhar em suas telas uma seleção francesa com grande parte do elenco composta por atletas de origem africana. Um mês antes, houve o caso de Mamoudou Gassama, um imigrante ilegal do Mali vivendo na França, que escalou 4 andares para salvar um bebê de cair de uma sacada. O caso estampou os principais jornais e noticiários do mundo todo. O presidente Macron recebeu Mamoudou pessoalmente, para parabenizá-lo. Esses casos, em especial o segundo, são exemplos de como a imigração pode mudar a realidade de muita gente.

Não apenas a França, mas outros países, como Espanha, Portugal e Itália, têm mudado as políticas de imigração, devido ao grande fluxo de pessoas fugindo dos diversos conflitos étnicos na África e no Oriente Médio. E, mesmo com os diversos atentados que aconteceram nos últimos anos, cada vez mais os países vêm abrindo portas para aqueles que querem fugir da guerra.

Então, vimos as duas faces de algo extremamente importante: de um lado, no principal campeonato do esporte mais conhecido do mundo, o time com o maior número de imigrantes sagrou-se campeão; de outro, a maior potência econômica do mundo fecha cada vez mais as portas para eles – o que reflete na população e na questão social, fazendo com que casos de ódio sejam cada vez mais comuns.

Já falamos aqui, sobre o caso do vendedor de esfirras que foi agredido por ser um refugiado. É quase inconcebível que algo assim tenha acontecido no Brasil, que é um dos países com maior índice de população imigrante do mundo. Italianos, alemães, japoneses, chineses. Pessoas que saíram da sua terra para buscar uma vida nova aqui. Mas ainda assim, esse tipo de coisa continua acontecendo, e, com a crescente do conservadorismo, a tendência é que as ocorrências aumentem.

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Seleção Francesa, campeã da Copa da Rússia de 2018, e as diversas origens dos seus jogadores

A França nos mostrou por meio do futebol o quanto pode ser positivo para uma nação, seja no esporte ou não, abrir as portas para aqueles que precisam de refúgio para recomeçar. Mais exemplos de cidadania e empatia são um dos caminhos para um futuro melhor. E quanto àqueles que são contra esse tipo de atitude, bem, só nos basta lamentar por eles.

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